sábado, 19 de junho de 2010

Celebro o que não fiz


Eu ainda não consegui compor uma carta honesta,
Uma música simples,
Um amor verdadeiro
Nem plantei uma árvore.

Nem sequer escrevi um livro...
Não tive ainda um filho!
Quem os teve,
será melhor do que eu?

Eu que escrevo cansado
Mais até que o fim de tarde de luz abafada
De e tempo estranho e com cara de saudade
Que faz lá fora...

Minha alma é como a cortina
Tão fina...
Tão fina que a luz
Passa e atinge-me...

Pode também ser tão larga, tão grande,
Extensa, gigante, que nem o poeta soberbo
Ou mesmo o humilde nem o avarento
Poderiam ter.

Posso ser eu,
posso ser seu.
Posso viver e lutar ou desistir
Pois não me entendo.

Se o poeta entendesse a si mesmo...
Eu assumo que ainda não compus minha sinfonia,
Nem cantei a nova melodia,
Não autografei meu livro ou escrevi prefácios...

Mas no meu reino, meu palácio,
Eu sou mais eu
Não me desfaço,
Só aceito...

Que nem tudo o que está escrito presta,
Nem tudo que se canta é festa,
Nem todo amor é bom,
O bom amor contesta!

Sou admirador do viver feliz.
Sem vícios, sem norte,
A coragem de num pulso forte
Sou mesmo é imperfeito, aprendiz.

Sidonio Macedo Jr
Manaus - AM - Julho/2005

Ciclo


Nova fase.Novos caminhos.
Outras propostas.
Velhos sonhos renovados,
Velho menino cansado.

Moleque ancião determinado,
Apaguei o medo do meu dicionário.
Decidi lançar-me por inteiro
os meus sonhos, meus projetos!

Meu palacete é de simplicidade
e minha pobreza é dourada.
Valor às coisas simples,
Renegando às vãs e banais!

Ainda que viva com pouco,
Deve-se saber como não viver pouco.
Tomar da vida o melhor que
ela pode me dar!

Sidonio Macedo Jr (2005)


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sacanagem


No dia que não começou dos melhores (mas há de melhorar!), eis mais uma pancada, comprovando minha teoria crítica (regada a lúpulo e cevada) de que a "Lei de Smurf" foi criada pensando em mim.

Recebi da TIM(ganaram), aquela nefasta vendedora de celular que acha que o Blue Man Group vai um dia causar uma identificação e um impacto em seu público (ledo engano!), um e-mail bem (des)motivador. Nele, a minha futura ex operadora de celular divulga seu programa de estágios e trainees. 

Atentem para um detalhe: não me convidam a participar, mas apenas a divulgar para "conhecidos ou amigos" que tenham perfil "criativo, determinado, inovador e que busque novos desafios". Ok, agora que disseram que não sou nada disso, me mandem um e-mail difamando minha mãe também. Juro que não vou nem me abalar.

A medonha empresa descortina diante de mim e, certamente, outros milhões que receberam esta desgraça comunicacional, sua incompetência em tratar e se representar!

Re-re-requerimento


Quase um ano após a colação de grau tive a grata surpresa de saber, por meio de uma amiga, que os diplomas das turmas recém formadas estão sendo liberados antes das turmas que colaram grau há um ano ou mais, o que é meu caso. Estapafúrdia é a explicação (só para não perder o costume) de que houve mudança no processo interno e eu deveria me despencar até o campus para refazer um requerimento. A epopéia começa por telefone numa conversa mais ou menos assim:

Eu digo: "Mas criatura, vocês querem me dizer que eu preciso ir até aí para refazer um documento que já entreguei há oito meses por culpa de uma mudança de processo interno?"

O ser dou outro lado: "Sim".

E eu, cheio de amor para dar: "E vocês julgam que alguém que passa quatro anos numa universidade não quer um diploma? Não seria de se supor que ao colar grau, automaticamente o aluno deve estar nesta lista?" Até então havia resquícios de paciência e compreensão dentro de mim.

"Sim, senhor, mas o senhor precisa estar vindo até aqui".

Os bons sentimentos e a polidez começaram aqui a se esvair da minha conduta. Não suportei e desisti. Hoje fui pessoalmente refazer o tal requerimento. A atendente era outra e, muito solícita e bem disposta, pediu desculpas, concordou com meus argumentos e desabafos e... Desferiu o tiro de misericórdia:

"O senhor precisa estar esperando um mês para estarmos entrando em contato".

Calei na hora. Passou uma onda de ódio e decepção por dentro de mim que tomou todos os meus neurotransmissores. Acho que entrei em choque e travei. Sorte dela.
Sorri, agredeci, recolhi o comprovante e saí depressa.


Créditos do cartoon: Mike Keefe

O Twitter e a Evolução da Comunicação

Evolution of Communication

O cartoon de Mike Keefe  nos remete ao pensamento do nobel de literatura, José Saramago, sobre o Twitter: “Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.” Fonte: comunicadores.info

Pois é. Penso, a respeito da evolução, que podemos rejeitá-la ou podemos amá-la. Não podemos negá-la. Onda passageira ou não, é preciso conhecer, entender e tirar suas conclusões ou aprender a colher bons frutos de tudo isto.

Em outros tempos também houve quem torcesse o nariz para a realidade que passava diante dos olhos. O fabricante de carruagens também deve ter gostado quando ouviu falar da tal invenção, do automóvel, assim como as fábricas de máquinas de escrever, sentadas em seus tronos de faturamento, não viram o mercado mudando e perderam a chance de serem as maiores fabricantes de computadores.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Placebos ufanistas



Dia desses respondia ao Tikão (@patrickzanon) no Twitter sobre esta exagerada alienação impregnada em tempos de Campeonato Mundial de Vuvuzela, também conhecida como Copa do Mundo. Este termo surgiu imediato e intragável. Acho que por isto gostei e resolvi, no decorrer destes dias, abrir os olhos ao que me cerca e decobrir situações em que os "Placebos Ufanistas" estão fazendo seu efeito de entorpecimento psicológico. Comecei hoje, com a tirinha retirada do Mesa de Bar e postada no Na Bruzundanga, que tão bem retrata nossa situação. Fontes citadas. Quae sunt Caesaris, Caesari.

Segue uma possível (in)definição do que poderia vir a ser "Placebos Ufanistas". Créditos para a ajuda de Santa Wikipédia dos Sem Aurélio.
"Placebo (do latim placere, significando "agradarei") é como se denomina um fármaco ou procedimento inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está a ser tratado". Piorou? Ok, outra tentativa: lembra do escândalo com o Microvlar? Bom, se até aqui não entendeu, aconselho usar os links e... Boa pesquisa!
Ufanista: "(...) O adjetivo ufano provém da língua espanhola e significa a vanglória de um grupo arrogando a si méritos extraordinários. (...) Ufanistas acabavam por extrapolar ao se vangloriar desmedidamente das riquezas brasileiras, muitas vezes expondo a si e ao país a uma situação que seria interpretada por outros como (...) vaidade". Nem preciso comentar.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cultura - Um conceito antropológico.


Terminei de ler o livro "Cultura - Um conceito antropológico", do Roque de Barros Laraia. (23ª. Edição Zahar Editora, 2009). Trata-se de um estudo que apresenta o conceito de cultura com a ótica da antropologia. O autor passeia pelo surgimento do termo "culture" nos envolvendo com sua análise inteligente, contruída com o pensamento de diversos autores, ao longo do tempo e a repeito das mais diversas culturas.

Antropologia... Tenho me aproximando bastante desta ciência, que me desperta cada vez mais interesse. Ela me ensina a olhar e, mais do que isto, a educar os olhos para ver além das aparências e sem o crivo das minhas próprias opiniões, formadas pelo meu ambiente externo, o que não me faz melhor ou pior diante de outras culturas, outros modos de pensar a agir a vida.

Lembrei-me de um grande mestre, Denilson Botelho, e de suas aulas de Antropologia, na faculdade de jornalismo. Ensinava como poucos sobre a educação deste olhar observador, mas não julgador. Exercício diário, a compreensão do outro tem passado por mim constantemente. Passaram por mim, também, os versos de Diego Fernandes na letra de sua canção Ser diferente. Na poesia, o artista retrata bem estes conceitos como sua própria forma de viver e não classificar os outros:
"Eu tenho que ser diferente,
E preciso ser eu mesmo também.
Amar sem preconceitos,
Viver os meus preceitos,
E não rotular ninguém".
Quanto ao livro, fica aqui uma boa dica de leitura. Não pretendi e não escrevi um ensaio, resumo ou paráfrase sobre a obra de Laraia. Muitos já o fizeram e, caso seja isto o que o nobre leitor procura, São Google lhe indicará o caminho. Aqui, deixo minhas impressões pessoais e o que a leitura provocou em mim. 
De linguagem fluente, quase dialogal, o autor nos leva a um passeio interessante. Leitura útil para todas as áreas de estudo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Marina Silva


Fui alertado via Twitter pelo perfil da Marina Silva (@silva_marina), candidata do Partido Verde (PV) à Presidência da República, sobre sua presença no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira, 14 de junho. Corri para a internet e fui conferir pelo player do próprio blog da campanha o que ela, esguia figura com a cara da mulher brasileira, teria a dizer.Fiquei satisfeito com o que assisti.

Marina tem pela frente uma difícil batalha, perante às máquinas mobilizadas nas campanhas de Dilma (PT) e Serra (PSDB) que, espero, sigam o exemplo da candidata do PV e não se esquivem da participação em entrevistas e debates. Mais do que participar, que quando o façam, apresentem planos e metas reais e dignos, e não utopias imaginadas por seus publicitários e marketeiros. Cansamos!

Quanto à Marina Silva, sua história de luta, superação, defesa do meio ambiente e conduta política são postas diante de nós. Como só o passado não basta, vale a pena conferir suas propostas para o futuro e descobrir o quanto sua militância ecológica pode nos fazer avançar na vanguarda do crescimento aliado á sustentabilidade. Será? Provocação lançada.

Com o slogan de camapanha "Seja mais um e seremos milhões", o PV convida o país a mobilizar-se na campanha de sua candidata. Este post não é uma declaração de apoio nem uma afirmação de que já estou concencido e serei eu também "mais um". Confesso: ver uma candidata despida de vaidades políticas assumir em rede nacional que não é perfeita, me fez refletir sobre a transparência e a verdade que deveria ser constância no nosso cenário governamental. Conforme afirmou Marina, ser ético não é motivo para vanglória, pois é obrigação.

Maria Osmarina Marina Silva de Lima, nascida em 8 de fevereiro de 1958, em Breu Velho (AC) Acre, e tem formação em história. É filha de nordestinos que foram colonizar a Amazônia e passou a infância numa comunidade de seringueiros. Alfabetizou-se aos 16 anos, em Rio Branco.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Segundas...




Intenções? Chances? Tentativas? Não! São segundas-feiras mesmo. Hoje é segunda-feira, graças a Deus. E segunda é o "dia depois de amanhã". Passado o domingão (!), estamos de novo mergulhados na rotina.

Segunda-feira será o dia de falar de música por um bom motivo: os finais de semana são para injetar nos ouvidos boas doses de vacinas musicais. Inocular porções curativas feitas de bons acordes e boas letras contra as degradações sonoras que entram em pelos ouvidos sem permissão.

Para mim, música é experiência. Não tenho ouvido rádio há tempos. E não retornarei a ouvir até que fique provado que elas tocam música de verdade e não playlists safados, bancados por jabás cretinos de gravadoras quebradas que, dando as desesperadas braçadas finais, insistem em lançar maldições no melhor estilo "a melhor banda de todos os tempos da última semana", como denuncia a letra dos Titãs. A boa nova é que este debater-se é prenúncio de um afogamento. Serão forçadas a se reinventarem.

Acho bom o modelo adotado pela gravadora Trama. No lançamento da aquisição de peso, Ed Motta, ao seu staff (sem pretensão a trocadilhos, ok!), a sacada foi: um patrocinador paga um valor determinado pelo trabalho e o lançamento é por download. Bastava acessar o site, assistir ao comercial de 30 segundos do patrocinador e em seguida ter acesso a baixar o disco, com direito aos encartes digitais e tudo. Não sei se esta foi a primeira, acho que não, mas foi a que eu conheci primeiro e me fez respeitar ainda mais a Trama.

É isso, meus amigos: confiar e caminhar por sobre as águas! A Trama já entendeu que o movimento é outro e desconfiar e temer só leva ao afundamento. Migrar, mudar ou quebrar. Como citei no post "Domingo" (meu abre alas), a internet e as pesquisas me propiciam descobertas bem mais legais e libertárias. Precisamos entender que internet, ao contrário do que muitos pensam, NÃO é uma rede de computadores. É uma rede de PESSOAS.

Declaro aberta a sessão FONE DE OUVIDO do nosso Blog Outras Palavras. E por aberta leia-se disposta a receber dicas, críticas e provocações.


domingo, 13 de junho de 2010

Domingos...


É um dia estranho. Como católico, o respeito como o "Dia do Senhor". No mais, concordo com o Patrick Zanon, que twittou para os amigos que quem gosta de domingo, deixasse de seguí-lo no microblog. Acidez pura! 

Os panoramos deste domingo me fizeram lembrar que há cinco anos eu lançava uma página no Live Journal, ferramenta de blog noticiário que começava a despontar na época. Obtive supreendente audiência no canal graças à repercussão do post mais visitado e comentado. O assunto: uma crônica sobre um domingo daqueles. Neste momento, chego a ouvir a Ciça dizendo: -"Há cinco anos, direto do túnel do tempo"! Acho que neste período, só a voz da Ciça e os domingos continuam os mesmos. O resto do mundo inteiro mudaram.

Eu ganhei muitos quilos (ganhei, mas luto para devolver ), aprendi a viver no Rio de Janeiro (coisa que àquela época me parecia impossível), ampliei um pouco a tessitura por conta de uma cirurgia de septo e garganta que mudaram para melhor meus problemas de respiração, terminei a faculdade, estou concluindo uma pós, entrei e saí de alguns namoros, voltei a cantar no grupo Santa Cecília, vi amigos se casando, fui ficando para tio. 

A música brasileira lançou mais alguns grupos de "entretenimento" com seus "safado, cachorro, sem vergonha" e "rebolations" da vida, ao passo que segrega ótimos cantores e compositores à cena independente ou cult, suporstamente densa demais para a assimilação pelo povão. E aí, para sepultar meu sonho de a coisa um dia pode melhorar, o "Tchan" declara que voltará aos palcos. É o apocalipse.

Livros, internet banda larga e canas de vídeo são a salvação para o tédio. Há muito deixei de me entupir de trabalho aos domingos. Cada coisa no seu tempo. Como também não posso me dar ao luxo de passá-lo dormindo e dar mais "corda" para minha parceira das madrugadas, a insônia, preenchi os domingos com pesquisas e audição de muita música boa (acústica, jazz, rock, incidental, etc), assunto que postarei em breve. Música é meu relaxante. Um remédio para qualquer situação.

Hoje, primeiro domingo do Campeonato Mundial de Vuvuzelas, desisti de assistir ao jogo entre (não)Servia X (en)Gana, pois não suportei o inferno das cornetas. Faz frio no Rio de Janeiro. Tomei um chá de revolta e fui pôr em dia minhas caminhadas, suspensas há duas semanas por falta de tempo ou excesso de chuva. Mal consegui caminhar por quarenta minutos, devido ao vento gélido que cortava a pele. Não suei nada.

Nas ruas, a confirmação: o domingo iguala as cidades grandes às pequenas. O Rio está como Cordeiro. Frio, vazio, insosso como só num domingo. Nas ruas, só as pessoas que foram comprar um frango de padaria para fugir de enfrentar o bom e velho fogão e alguns evangélicos e católicos saindo de suas igrejas apressados. 

A imagem que salvou o domingo foi uma senhora, de seus oitenta e poucos anos, magrinha, agasalhada e portando no rosto um enorme óculos de armação grossa e cor azul "incômodo", de um tom que não dá para descrever, e lente azul também. Estou sem entender até agora. Foi toda a cor que passou por mim neste domingo. 

Faz frio. O céu está negro e ameaça chover. Pior que isto, só lembrando que amanhã é segunda-feira e na terça-feira a narração do jogo de estreia do Brasil na Copa será com a narração do Galvão Bueno.

Resta-me constatar: nada é tal mal que não possa piorar.


sábado, 12 de junho de 2010

Vamos começar?

Agora sim! Momento de fazer diferente e dizer outras palavras.