domingo, 13 de junho de 2010

Domingos...


É um dia estranho. Como católico, o respeito como o "Dia do Senhor". No mais, concordo com o Patrick Zanon, que twittou para os amigos que quem gosta de domingo, deixasse de seguí-lo no microblog. Acidez pura! 

Os panoramos deste domingo me fizeram lembrar que há cinco anos eu lançava uma página no Live Journal, ferramenta de blog noticiário que começava a despontar na época. Obtive supreendente audiência no canal graças à repercussão do post mais visitado e comentado. O assunto: uma crônica sobre um domingo daqueles. Neste momento, chego a ouvir a Ciça dizendo: -"Há cinco anos, direto do túnel do tempo"! Acho que neste período, só a voz da Ciça e os domingos continuam os mesmos. O resto do mundo inteiro mudaram.

Eu ganhei muitos quilos (ganhei, mas luto para devolver ), aprendi a viver no Rio de Janeiro (coisa que àquela época me parecia impossível), ampliei um pouco a tessitura por conta de uma cirurgia de septo e garganta que mudaram para melhor meus problemas de respiração, terminei a faculdade, estou concluindo uma pós, entrei e saí de alguns namoros, voltei a cantar no grupo Santa Cecília, vi amigos se casando, fui ficando para tio. 

A música brasileira lançou mais alguns grupos de "entretenimento" com seus "safado, cachorro, sem vergonha" e "rebolations" da vida, ao passo que segrega ótimos cantores e compositores à cena independente ou cult, suporstamente densa demais para a assimilação pelo povão. E aí, para sepultar meu sonho de a coisa um dia pode melhorar, o "Tchan" declara que voltará aos palcos. É o apocalipse.

Livros, internet banda larga e canas de vídeo são a salvação para o tédio. Há muito deixei de me entupir de trabalho aos domingos. Cada coisa no seu tempo. Como também não posso me dar ao luxo de passá-lo dormindo e dar mais "corda" para minha parceira das madrugadas, a insônia, preenchi os domingos com pesquisas e audição de muita música boa (acústica, jazz, rock, incidental, etc), assunto que postarei em breve. Música é meu relaxante. Um remédio para qualquer situação.

Hoje, primeiro domingo do Campeonato Mundial de Vuvuzelas, desisti de assistir ao jogo entre (não)Servia X (en)Gana, pois não suportei o inferno das cornetas. Faz frio no Rio de Janeiro. Tomei um chá de revolta e fui pôr em dia minhas caminhadas, suspensas há duas semanas por falta de tempo ou excesso de chuva. Mal consegui caminhar por quarenta minutos, devido ao vento gélido que cortava a pele. Não suei nada.

Nas ruas, a confirmação: o domingo iguala as cidades grandes às pequenas. O Rio está como Cordeiro. Frio, vazio, insosso como só num domingo. Nas ruas, só as pessoas que foram comprar um frango de padaria para fugir de enfrentar o bom e velho fogão e alguns evangélicos e católicos saindo de suas igrejas apressados. 

A imagem que salvou o domingo foi uma senhora, de seus oitenta e poucos anos, magrinha, agasalhada e portando no rosto um enorme óculos de armação grossa e cor azul "incômodo", de um tom que não dá para descrever, e lente azul também. Estou sem entender até agora. Foi toda a cor que passou por mim neste domingo. 

Faz frio. O céu está negro e ameaça chover. Pior que isto, só lembrando que amanhã é segunda-feira e na terça-feira a narração do jogo de estreia do Brasil na Copa será com a narração do Galvão Bueno.

Resta-me constatar: nada é tal mal que não possa piorar.


Um comentário:

  1. Excelente, meu amigo!
    Vida longa e próspera ao "Outras Palavras", por que estamos satudos das "Mesmas".
    Valeu por salvar meu doimingo!

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