domingo, 29 de agosto de 2010

Domingo de FIND e "sol, sol, sol...", só ao som de Marcio Bragança.

Um domingo bem legal no Fórum Internacional de Design e Tecnologia Digital (#find2010). Você confere em breve, aqui no blog, um resumo das palestras e o que fica de importante de um dia produtivo com grandes nomes do mercado.

Por hoje, deixo um som de primeríssima qualidade com o Mácio Bragança. Prá quem não conhece, recomendo começar a pesquisar e ouvir. Como estou sempre facilitando a vida dos leitores, pode clicar aqui.

O artista está despontando com um repertório de primoroso bom gosto, bem executado com sua doce, mas potente e afinadíssima, sempre e bem utilizada. O MB (para os íntimos, rs) sabe a que veio e mostra personalidade a cada acorde, imprimindo um padrão elevado de qualidade e técnica.

Ouvindo algumas canções já liberadas, que estarão em seu primeiro CD, Odisseia, fica difícil classificar o som de Marcio Bragança como MPB. Brincando com o próprio apelido do cantor e compositor, chego a classificações menos limitadoras. MPB sim, mas não apenas. MB, sim, e bastante. E MB de Música Boa, Música Bonita ou Música Brasileira. 
Ali no caldeirão do MB ferveram pop, bossa, mpb, soul e umas levadas "gringas "no tempero, porque não? O resultado é uma canja musical consistente, de caldo é forte e e com sabor de banquete.

Anota aí: o cd Odisseia, de Marcio Bragança, chega às lojas em outubro. Em breve divulgaremos a agenda de shows de lançamento.

Confira a canção Sol, gravada ao vivo no Oi Novo Som Marcio Bragança. (Composição: Duda Lucena). 
 


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vendas: aprender com os erros, aplicar esforço na mudança.


Trabalhar com vendas é uma tarefa árdua e, em muitos casos, complicada. Viver de vendas, para muitos, é assumir um estilo de vida instável, estressante, mas também emocionante.

A venda também uma atividade prazerosa, desde que o indivíduo a desempenhe com boa vontade e motivação. Até aí, nada diferente de qualquer outra profissão do mundo. Vender, assim como dirigir, construir, operar, tocar instrumentos ou cozinhar, por exemplo, é uma profissão afetada diretamente pela quantidade de pessoas com que se convive no trabalho.

Com anseios ou curiosidades pessoais dos mais variados possíveis, passam pela vida de um vendedor uma infinidade de personagens reais, a cada dia, a cada negociação. O componente humano, dos dois lados do processo, muda todo o panorama do atendimento.

Ao longo de alguns anos, passei por experiências nos vários estágios de um processo de venda. Comecei como operador comercial, e ia do abastecimento, montagem do PDV ao caixa. Fui de vendedor para auxiliar de gerência, depois a gerente de unidade. Posteriormente, trabalhando com a comunicação, tive a chance de ver, de outro ângulo, o trabalho da linha de frente e como estes recebiam as estratégias traçadas pelo marketing e comunicação para alavancar as vendas.

Viver este leque de funções variadas me ajudou a criar um olhar muito crítico e aguçado para o atendimento no ponto de venda. Aprendi muito com cada experiência e, principalmente, com meus erros. E como errei! Minha entrada neste universo louco do comércio foi rápida e, em muitos casos, sem orientação para o trabalho por parte da empresa. Com isto, sobrava a mim o instinto e a vontade de acertar.
Um erro recorrente em vendas é focar na nesta máxima: tratar o cliente como eu gostaria de ser tratado. Pensar assim me levou, após alguns furos incríveis, a entender que este enfoque pressupõe algo impossível: que as pessoas são exatamente iguais a mim. E, claro, não são. Percebi que os clientes não gostavam sempre de ser tratados como eu gostaria de ser pelo simples fato de sermos muito diferentes. Uns mais pessoais e outros mais formais, uns mais comunicativos, decididos e outros mais fechados, dúbios.

A personalização do atendimento acontece à medida que se percebe qual é o perfil do cliente. O vendedor precisa ser observador dos detalhes. Passa neste ponto uma linha muito tênue entre ser forçado e ser educado. É irritante um profissional que tenta parecer amigo de infância do cliente, tentando estabelecer a comunicação. Isto espanta o interesse e o transforma num servil mostrador de objetos e preços. Não é para isto que ele está ali, mas para ser cortês, atencioso, falar um bom português e ser claro.

Importa muito para o cliente perceber que o vendedor não desistiu de ser o melhor possível a cada ida que fez ao estabelecimento. Clientes podem não fechar a venda na primeira visita. É necessário que o vendedor não vista uma armadura de bloqueio contra os chamados “clientes pescoço”. O sucesso acontece quando se aprende a surpreendê-lo pela paciência e cortesia. Acredite: já fechei vendas onde tinha preços maiores do que a do concorrente, o cliente sabia disto, por ter pesquisado, mas ainda assim fechou negócio, pelo tratamento digno e atencioso que recebeu, ainda que o tenha atendido várias vezes até concluir a venda.

Conquistar o cliente pela satisfação o retém muito mais do que pelo preço. Fui um grande desacreditado desta realidade até começar a tentar provar que era possível e ver que era mesmo, na prática, desde que eu estivesse motivado a vencer esta barreira. É perceptível que estes clientes acabam sempre retornando, aumentando a taxa de recompra e indicando outros bons compradores. A confiança, repito, substitui até o preço, desde que se tenha ambiente adequado, conversa franca, serviços agregados, entre outros.

Eu ocupava o cargo de gerente de loja de eletroeletrônicos. Minha mesa ficava bem no meio do salão de vendas. Nada de salas trancadas, distancia dos clientes e, principalmente da equipe. Estava ali, o tempo todo, vendo e sendo visto por eles. Devo confessar que esta decisão partiu também da falta de opções. Toda a área interna estava tomada por estoque e não poderia diminuir o salão para ter uma sala. Assim, uma mesa reservada me mostrou que, mais que uma sala climatizada, metida a besta, onde clientes esperam numa recepção, eu ganhava convívio e agilidade estando ali, perto de todos. Não acredito em receitas infalíveis nem que um case de sucesso se aplique para qualquer situação. No meu caso, deu muito certo, o que não significa que se adéqüe a outros modelos de negócio.

Para concluir, gostaria de relatar um dos casos mais emblemáticos que vivi e agrupa toda a conversa aqui relatada. Um senhor, aparentando setenta anos, por três semanas seguidas entrava na loja para se informar a respeito de uma promoção de TV com garantia estendida. Várias vezes durante a semana, lá estava ele. Revezamos entre a equipe para lhe repetir as explicações. Cheguei a acreditar que não estávamos sendo claros ou convincentes para fechar a venda. Chegamos ao ponto de fazer piada de nós mesmos. Os vendedores pensaram num bolão para tentar acertar quem iria encerrar aquela novela.

Pois bem. Dois dias sem o cliente voltar eu estava na área de vendas e fui atendê-lo. A pergunta foi: - “Meu filho, mas essa televisão é boa mesmo”.

Eu, certo de que já havíamos explicado cada detalhe, me contive:

- “Sim, senhor”.

E ele:

"O preço tá bom mesmo? Não dá para baixar mais”.

Calculei, comparei com outros similares e mostrei:

-  “Olha, chego neste preço para o senhor sair daqui hoje com uma TV nova, e garanto, a preço de banana”.

Queria mesmo acabar com esta história. O senhor, com a simplicidade que tinha, me interpelou:

- “De banana, não meu filho. Eu planto, colho e vendo bananas e sei que me pagam barato demais por elas. Me custou três semanas de venda de bananas para juntar o dinheiro para comprar. Mas vou levar porque você tem dado atenção e paciência prá mim esse tempo todo”.

Engoli uma secura que me tirou qualquer reação. Com sua generosidade, sorriu para mim. Fechamos a venda, lhe servi um café quente enquanto providenciava as notas. Pedi que o motorista pegasse o carro da loja, a TV no estoque e o levasse, na hora, até sua casa. Ele estava de bicicleta e levaria a caixa na garupa ou aguardaria a entrega. Comentou que comprara também uma antena nova. De imediato pedi que nosso motorista também o ajudasse a instalar a TV e a antena nova. No retorno, ele me contou da alegria do senhor e da família quando chegaram em casa.

Dias depois encontrei um casal de amigos. A mulher me perguntou:

- “Sabia que você é novo sucesso da casa do meu avô?”.

Como não conhecia o tal avô, e estranhando aquela declaração, perguntei o motivo. Ela contou:
- “Meu avô é agricultor. Comprou uma televisão e é só elogio para o rapaz da loja. Quando vi a nota, reconheci seu nome e quero te dar os parabéns. Ele é difícil de agradar”.

Após esta venda, mudamos muito nossa dinâmica e melhoramos nossa técnica. Aprendi, numa história, várias lições importantes como buscar me superar, não desistir do cliente, contornar meus próprios erros, oferecer vantagens, ser cortês e educado e saber reconhecer que errei. O mundo é pequeno. A história do vendedor de bananas tornou-se um case. Toda sua família passou a comprar na loja e a indicar novos clientes.

Algumas lições de vendas levamos para a vida.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Movimento Suspeito: O Globo e a enquete sobre o debate eleitoral.

"Eu vim para confundir, não para explicar". A máxima do Chacrinha cai bem quando se analisa, no site do jornal O Globo, a seção dedicada à cobertura das eleições 2010. Com a TV sintonizada na Tv Bandeirantes na noite de doze de agosto, acompanhava o debate entre os candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro - Sérgio Cabral (PMDB), Fernando Gabeira (PV), Jefferson Moura (PSOL)e Fernando Peregrino (PR). Resolvi ir também ao Twitter para saber como seguiam as impressões a repeito do embate político por lá.

Uma twitada do jornal O Globo convida para acompanhar em tempo real o debate, transcrito em sua seção especial de cobertura. Segui o link, fui ao site e resolvi opinar numa enquete. Criaram ali um tal "Termômetro do Debate" do qual não gostei. Estou sendo crítico demais ou a coisa está mesmo carregada de intenção?


Esta idéia de "termômetro" considerando o debate "frio" ou "quente" até passa, mas a simbologia associada ficou confusa: mãos sinalizando positivo ou negativo, mas positivo é vermelho e negativo é azul. Se a ferramenta é termômetro, que usasse gelo e fogo, ou escrevesse "frio" e "quente".

Vamos combinar: usamos as cores (tradicionalmente, pelo menos!) azul para sinalizar ações e estados positivos e vermelho para situações ruins ou estado que exija alerta e preocupação. Certo? Bom, pelo menos não para os desenvolvedores e editores do jornal O Globo.

Induzido pelo uso "inovador" das cores, quase cliquei no símbolo de positivo, o que não retratava minha opinião, pelo simples fato dele estar em vermelho! Oras! Desde quando vemos um ponto de concordância marcado assim?

Meu olhar analítico felizmente despertou para o detalhe. Imagino o quanto o resultado ali apresentado não está maculado pelo fato de várias outros internautas terem sido induzidos ao erro, como eu quase fui. Em matéria de eleição, qualquer ação, por mais inofensiva que pareça, merece uma boa dose de malícia e, tratando-se das Organizações Globo, o cuidado é redobrado.

Significado de cores e ícones não se relacionam bem.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

INSS e bancos. Mais uma capítulo da desordem nacional.



Dia desses me embrenhei numa fila de banco para pagar carnês de arrecadação do INSS dos mais pais. Coisa mais cretina esse sistema da burrocracia nacional. Vendem estes malditos carnês, sem códigos de barra, em qualquer papelaria de bairro. O cidadão preenche em casa e vai pagar, como se ainda estivéssemos em tempos de depender de caixas de banco.

Me perdoem os que pensam que o código de barras é coisa do final dos tempos, que um dia todos seremos marcados na testa com um desses. É uma mão na roda! Bastaria ter um ali na página do maldito carnê e eu teria ido direto ao caixa eletrônico resolver minha vida e a do banco. Sim, uma vez usuário de internet banking e caixas eletrônicos, desoneramos as folhas de pagamento dos magnatas bancários. públicos e privados, fazendo nós mesmos o serviço sujo. A eles, o pouco de serviço que sobra no atendimento pessoal é feito de maneira torpe, estúpida, desconfortável e demorada, como se estivessem prestando algum favor. Mas não estão não! Vale a máxima da Lady Kate: "Tô pagandooooo". Mas eles se importam com isto?

Na agência da caixa fui procurar uma tabela de preços dos serviços bancários. Olhei esperançoso, pensando encontrar algum quadro grande, visível, com letras legíveis para idosos e pessoas com alguma deficiência visual. Ilusão. Achei, sim, um suporte de acrílico na parede com um calhamaço de papel A4. Lá, uma tabela com letras cômicas, que faltavam pouco pular dali apontando dedos para minha cara e, rindo, gritarem: "Ah, se ferrou". Juro. Um monte de página com letras pequenas e difícil interpretação. Pensei logo: claro que eles não teriam prazer nem despesa de anunciar decentemente o preço cobrado pelo menor serviço prestado.

Lembrei nesse momento das visitas que andei fazendo a postos do INSS para resolver assuntos de aposentadoria com meu pai, um cara de ótimo coração, mas tão bom quanto enrolado para estes assuntos. A morosidade do atendente era tanta que achamos que ele estava tendo algum tipo de surto ou fazia corpo mole para analisar os documentos. Nem preciso dizer qual a opção correta, preciso?

Em homenagem a esta bandalha nacional chamada INSS, causadora de desapontamento, pagadora (?!) de salários miseráveis aos que mais trabalharam, o vídeo de hoje é um esquete genial do mestre Chico Anysio. A velha puta vai ao INSS tentar se aposentar. A coisa toda é tão bem escrita e encenada, a caracterização vocal e postural do Chico é tão boa que a gente mal nota que ele não está vestido. Vemos uma velha no INSS e pronto. É engraçado, mas crítico. 
 
 
 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Síndrome de Artista

Quem não conhece uma estrela?

Movimento Suspeito: Rio Poupa Tempo (Poupa?!?)



Cansado de passar constrangimento toda vez que precisava apresentar minha carteira de identidade, resolvi tomar uma generosa dose de vergonha na cara e ir atrás da segunda via. Meu RG, resquício de uma adolescência interiorana, já estava surrada pelo tempo e pelas tantas vezes que visitou a máquina de lavar. Muitas agitadas, enxaguadas e centrifugadas se impuseram à coitada. O que sobrava era farrapo. Farrapo mesmo.

Uma vez, no consultório para exame médico de renovação da carteira de motorista, a médica me mandou essa na cara:

-"Nossa, um rapaz jovem, bonito  bem apessoado com um documento esfarrapado desses. Por que não aproveitou e pediu outra no Detran?".

Numa frase só fui do lisonjeio ao ódio. Primeiro, a cantada da coroa. Presunção minha? Ela só estava sendo gentil? Vocês não viram a cara dela nesta parte da frase. OK, prefiro esquecer. Depois, a raiva de mim mesmo: realmente deixei passar a chance e não tirei o novo RG no Detran-RJ. Passado algum tempo, no ápice da minha vergonha, resolvi procurar um posto do Rio Poupa Tempo, no centro da cidade, por estar perto do meu escritório. Descreverei a cena: Fila, fila e mais fila. Primeira imagem.

Peguei a senha e fui pro primeiro passo. Cinco minutos para uma foto horrível, que mal você pergunta onde se sentar e a mulher já disparou a foto sem flash  e te despachou para outra sala.
Lá fiquei uma hora e quarenta minutos esperando para ser chamado. Contam-se mais vinte minutos para terminar a papelada e mais dez para coletar digitais. Somou tudo?
 
Passado um mês, voltei para buscar o documento e... Fila, fila, fila. Peguei uma senha e esperei uma hora de dez minutos. Uma atendente sozinha, coitada, se virava com o serviço distribuindo sorrisos sem graça para amenizar a situação. Ninguém reclamava por total pena da moça escravizada.

Enfim, pode ser que para alguém aquela modalidade de serviço, "tudo junto ao mesmo tempo agora", poupe mesmo algumas pernadas pelo centro do Rio, lugar quente, tumultuado e inseguro. Está tudo ali. O problema é o tempo que se espera para resolver cada problema. Chá de cadeira, como diriam os antigos.

Para mim, de vantagem, apenas a proximidade do trabalho. O resto, só mais uma idéia que tinha tudo para dar certo mas morreu na praia. Perdi meu tempo. E prá variar, fiquei pior ainda na foto da nova identidade.E juro que não é só por causa da genética.

Rio Poupa Tempo: se fizesse o que se propõe estaria de bom. A mim não atendeu.

domingo, 8 de agosto de 2010

Movimento Suspeito: garoto é humilhado por Lula e Cabral ao cobrar cumprimento de promessas.


Movimento Suspeito foi uma ótima banda de pop rock formada no final dos anos 90, por amigos meus, na cidade de Cordeiro, no centro-norte fluminense. Até hoje preservo a camisa que  fizemos para o primeiro show. Inspirado pelo nome, resolvi vestí-la de novo, pois a ocasião pede. Está aberta a sessão "Movimento Suspeito" no blog Outras Palavras. Vamos falar dos legítimos merecedores da nossa suspeita. Quem merece ser estampado aqui como praticante de atos (e omissões!) absurdos?

Hoje a coluna começa com uma dica das boas! Recebi do amigo Patrick Zanon, via Twitter (sigam este cara!), uma boa indicação de vídeo. Nele, durante um evento Rio de Janeiro, aconteceu uma situação absurda. O Presidente Lula e o Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ao serem abordados pelo jovem Leandro, morador de comunidade e na ocasião com dezessete anos, trataram o menor com humilhações e declarações absurdas.

Cabral, cada vez mais incomodado com a presença de Leandro, responde a todas as declaraçõs do jovem jogando nele a culpa e o tratando como se o menino fosse um emissário de tráfico para provocá-los.

Lula, numa outra parte do vídeo, mostra sua excepcional forma de angariar votos e aparecer bem para a imprensa. Numa atitude que demonstra a preocupação com o "como aparecer" e não com o "como mudar de verdade a vida nas comunidades", reclama se a imprensa achasse o local fechado, teriam um prejuízo político maior. Grande lição de um velho lobo das urnas e da espetacularização da desgraça em prol da eleição.

O que os dois não contavam é que o menor, que tanto os importuna, gravava tudo com uma câmera digital. Aliás, ele tem feito isto em todos os eventos que pode comparecer para seguir Cabral, que lhe prometera, tempos antes, um notebook de presente. Promessa não cumprida, Leandro se tornaou uma pedra (das grandes!) no sapato do Governador.

 As imagens estão no YouTube e você confere aqui, no Outras Palavras.

 

sábado, 7 de agosto de 2010

Primeira chamada em vídeo para o Blog Outras Palavras.

Olá, pessoal! Resolvi diversificar e usar o máximo de mídias possíveis para convidá-los à leitura do nosso blog. Este é o primeiro vídeo. Uma chamada simples para o crônica "Os egoístas salvarão a Terra". Em breve vou postar vídeo crônicas, pensamentos e outras viagens experiementais com as mais variadas ferramentas. Espero que dê certo.

Os egoístas salvarão a Terra. Uma reflexão a respeito das atitudes ecologicamente corretas.

Cada pequena ação autônoma, dentro de casa, pode contrubuir
para a diferença entre a degradação e a preservação.


Estou longe de me considerar um eco chato. Não posso mesmo me categorizar no termo da moda que descreve pessoas dotadas de consciência ecológica num nível absoluto. Aquelas que decidem abrir mão até da boa convivência, ou dos limites da chatice social, em prol da defesa do planeta. São aqueles que comparecem ao seu churrasco para negar cada pedaço de carne e aproveitar para discursar sobre o desmatamento ocorrido para abrir pastos e criar o gado que ali degustamos, o carvão que inflama sobre as peças de picanha, o tempo que o plástico e o vidro das garrafas de bebidas vão demorar para se decompor, ficando por aí, ocupando espaço na terra, poluindo biomas e matando animais. A lista segue longa.

Guardados os devidos extremos, vamos pensar na faixa do meio e convir: nem tanto, nem tão pouco. Se não dá para se tolher dos hábitos de consumo moderno e virar new hippie numa comunidade auto-sustentável no interior de um sei lá onde do Brasil, também não dá para jogar pelo ralo o pouco que resta de recursos neste planetinha que, hoje sabemos, é um grão de poeira numa vastidão cósmica. Somos um nada, mas isto é tudo que temos.

Não vou aqui bancar o Frei Galvão, santo brasileiro, e oferecer pílulas de cura para os males do mundo. Não me atrevo a aconselhamentos ou a exemplos. Para isto, temos pessoas com mais conhecimento técnico para levantar bandeiras, como o Al Gore, por exemplo, que se empenha na luta pela conscientização de que já perdemos o timing da mudança de pensamento e atitude ambiental.

Apesar de tudo, posso gritar contra absurdos que se passam bem debaixo do meu nariz. Nunca pude bater no peito para me gabar de atitudes e hábitos de vida sempre ecologicamente corretos. Mas temos os limites da civilidade, da ética, da educação e do senso de ridículo, claro, como parâmetros. Uma avalanche de atos criminosos contra a cidadania e o consumo consciente resolveram se lançar à nossa frente. Parece provocação. E como eu não nego uma boa discussão, resolvi gritar e denunciar com as armas que tenho.

A saga desta semana começa quando chegava em casa sexta-feira, no final de tarde, após o trabalho. Já próximo ao meu prédio vi uma cena me chamou atenção ao ponto do incômodo. A vizinha da casa em frente, de dentro do quintal varria a calçada, se assim posso dizer, com água limpa, potável, usando uma mangueira e uma boa dose de alienação. Os sentimentos que me tomam diante de uma visão desta são tão estranhos que não posso descrever. Olhei para ela com olhar de reprovação tão grande que certamente fiz notar minha indignação pelo gesto que ela praticava. Pensei na família de um pobre vassoureiro que deve estar passando necessidade. Aposentamos as vassouras e agora varremos com água. Absurdo! O pior é que olhei para a mulher e para as árvores da rua, amendoeiras em plena muda de folhagem, que com o vento forte daquele fim de tarde pareciam brincar com a indecente desperdiçadora de água. Era um jogo de gato e rato. Ela tascando água com mangueira, de longe, esperando que as folhas de fossem da calçada, e as amendoeiras espalhando outras milhares, ao mesmo tempo. Ela ficou tão ofendida quando balancei a cabeça com tom de reprovação que se recolheu, levando consigo a arma do crime e esbravejando algo que não entendi. Sinceramente, não me importei com isto. Jamais se lembrará de mim pelas vezes que lhe dei bom dia, mas garanto: vai demorar a me esquecer pela forma que a fiz sentir. Talvez  ela pense duas vezes antes de repetir o ato.

Na manhã seguinte, saí para caminhar. Parei numa banca para uma habitual checagem das capas dos jornais. Deparei-me com uma foto onde russos caminhavam com máscaras cirúrgicas na capital de seu país, por causa da nuvem de fumaça que tomava a cidade, vindo dos vários incêndios que ocorrem simultaneamente ao redor dela. O fogo era resultante, entre outros fatores, pricipalmente da maior onda de calor na Rússia em cento e trinta anos! Passa tanta coisa na cabeça com uma nota dessas que é difícil coordenar as idéias. Do resultado pouco expressivo da COP 15 ao escândalo dos que se negam a colaborar não assinando termos como o Protocolo de Kyoto, até a vizinha da frente que esbanja um bem precioso já escasso em tantos lugares da aldeia global.

Uma reflexão importante, a meu ver, é entender se realmente podemos nos considerar aldeia global. Aldeia remete mais a uma organização onde as pessoas moram em habitações coletivas, respeitam-se mutuamente, trabalham para o bem comum e dividem vitórias e fracassos. O que vejo hoje é que somos sim, conectados. Que as notícias vão de um extremo a outro em tempo real. Mas e os recursos? E o consumo? Paramos para pensar no bem de uma comunidade encravada nas montanhas de um país isolado qualquier, ou numa tribo indígena do Alto Xingu, num camponês europeu ou num africano desnutrido?

Estou convencido de que a comunicação para a mudança precisa redirecionar o foco. Para as grandes corporações poluidoras, deixemos grandes associações ambientais tomarem conta, fiscalizarem. Façamos parte, assinemos cartas, tratados e abaixo-assinados. Mas para os pequenos crimes praticados na nossa própria área de serviço sejamos nós menos as mudanças. Se não pelo planeta, pelo bem de toda a espécie, que seja pela preservação de uma só: a sua! Senão pelo bem de todas as tribos, sejamos egoístas. Vamos mudar de atitude pensando numa tribo só: nossa família.

Em casa sempre fiz o possível para economizar. O princípio é sempre reduzir as contas. Juntar a roupara para lavar e passar sempre com a carga total da lavadora, aproveitar a água da lavagem da roupa para lavar o quintal, e não fazê-lo com água potável, limpinha, direto da torneira. Não passar horas no banho, fechar a torneira ao escovar os dentes. Hábitos comuns, cada vez mais perdidos no tempo. Infelizmente. O que dizer então dos eternos vazamentos em tubulações d´água pelas ruas das nossas cidades, comumente denunciadas pelos moradores às companhias responsáveis (será?) e sempre com soluções demoradas? Não se pode parar de reclamar.
Para ser considerado um completo alienado, assista programas de TV aberta dominicais, julgue relevante o que michês e atrizes pornôs declaram em entrevistas no sense nos quadros do Superpop. Dê ouvidos às promessas de campanha do Tiririca (sim, ele é canditado a Deputado Federal por São Paulo) ou creia na inocência de Paulo Maluf, Garotinho, Arruda e tantos outros por aí. Só não se faça de desavisado em relação ao ponto em que chegamos ao que se refere à destruição do planeta. Isto vai além da alienação. 

Se você quer que o mundo lá fora se exploda, tudo bem. Seja egoísta. Economize por você mesmo. Gaste menos e, por conseqüência, trabalhe menos. Quem pouco gasta, pouco precisa para se manter. Vá por mim: é possível. Se cada egoísta cuidar do seu próprio quintal, recuperar o hábito de usar a vassoura para varrer, e não água, apagar as luzes quando não estiver no ambiente, desligar aparelhos elétricos da tomada, boicotar empresas que detonam o meio ambiente, o egoísmo se converterá. Boas ações em benefício próprio impactarão no positivamente no bem coletivo. E ninguém precisará se preocupar de ser tomado por chato.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pouco dinheiro, muita corrupção.


Acabo de ler no blog DizVentura, do ótimo Mauro Ventura, no Globo Online, uma observação interessante a repeito da ação policial no Rio de Janeiro.

A cada dia os escândalos saltam aos olhos. Não é exclusividade nossa, mas, como sentimos na pele, é do santo de casa que relatamos os milagres.

Caso não menos interessante, prá não dizer revoltante, sobre a barbárie policial eu ouvi há algumas semanas, quando, discutindo sobre os prós e os contras de comprar um carro, desde despesas até a emissão de poluentes, chegamos ao ponto que não pode ser descartado: ter carro no Rio de Janeiro é um risco até quando tudo está em dia.

Do outro lado da linha a pessoa me conta um fato estarrecedor: propina paga com cheque. Revoltei. Pensei que deveríamos denunciar o absurdo, pois o canhoto e a compensação bancária poriam às claras este absurdo. A pessoa não topou, pois o policial também tinha seus dados.

Concluí: temos mesmo medo da Polícia tanto ou mais do que dos bandidos.

O valor do cheque? Dez reais. Isso mesmo, não é erro de digitação. Não faltou nenhum zero. O PM pediu dez reais, o motorista não tinha, arriscou brincar e perguntou se aceitava cheque. O escândalo: o policial aceitou. E o motorista preencheu, pois queria se livrar dali, sem danos físicos ou materiais.

A coisa vai mesmo muito mal.