sábado, 7 de agosto de 2010

Os egoístas salvarão a Terra. Uma reflexão a respeito das atitudes ecologicamente corretas.

Cada pequena ação autônoma, dentro de casa, pode contrubuir
para a diferença entre a degradação e a preservação.


Estou longe de me considerar um eco chato. Não posso mesmo me categorizar no termo da moda que descreve pessoas dotadas de consciência ecológica num nível absoluto. Aquelas que decidem abrir mão até da boa convivência, ou dos limites da chatice social, em prol da defesa do planeta. São aqueles que comparecem ao seu churrasco para negar cada pedaço de carne e aproveitar para discursar sobre o desmatamento ocorrido para abrir pastos e criar o gado que ali degustamos, o carvão que inflama sobre as peças de picanha, o tempo que o plástico e o vidro das garrafas de bebidas vão demorar para se decompor, ficando por aí, ocupando espaço na terra, poluindo biomas e matando animais. A lista segue longa.

Guardados os devidos extremos, vamos pensar na faixa do meio e convir: nem tanto, nem tão pouco. Se não dá para se tolher dos hábitos de consumo moderno e virar new hippie numa comunidade auto-sustentável no interior de um sei lá onde do Brasil, também não dá para jogar pelo ralo o pouco que resta de recursos neste planetinha que, hoje sabemos, é um grão de poeira numa vastidão cósmica. Somos um nada, mas isto é tudo que temos.

Não vou aqui bancar o Frei Galvão, santo brasileiro, e oferecer pílulas de cura para os males do mundo. Não me atrevo a aconselhamentos ou a exemplos. Para isto, temos pessoas com mais conhecimento técnico para levantar bandeiras, como o Al Gore, por exemplo, que se empenha na luta pela conscientização de que já perdemos o timing da mudança de pensamento e atitude ambiental.

Apesar de tudo, posso gritar contra absurdos que se passam bem debaixo do meu nariz. Nunca pude bater no peito para me gabar de atitudes e hábitos de vida sempre ecologicamente corretos. Mas temos os limites da civilidade, da ética, da educação e do senso de ridículo, claro, como parâmetros. Uma avalanche de atos criminosos contra a cidadania e o consumo consciente resolveram se lançar à nossa frente. Parece provocação. E como eu não nego uma boa discussão, resolvi gritar e denunciar com as armas que tenho.

A saga desta semana começa quando chegava em casa sexta-feira, no final de tarde, após o trabalho. Já próximo ao meu prédio vi uma cena me chamou atenção ao ponto do incômodo. A vizinha da casa em frente, de dentro do quintal varria a calçada, se assim posso dizer, com água limpa, potável, usando uma mangueira e uma boa dose de alienação. Os sentimentos que me tomam diante de uma visão desta são tão estranhos que não posso descrever. Olhei para ela com olhar de reprovação tão grande que certamente fiz notar minha indignação pelo gesto que ela praticava. Pensei na família de um pobre vassoureiro que deve estar passando necessidade. Aposentamos as vassouras e agora varremos com água. Absurdo! O pior é que olhei para a mulher e para as árvores da rua, amendoeiras em plena muda de folhagem, que com o vento forte daquele fim de tarde pareciam brincar com a indecente desperdiçadora de água. Era um jogo de gato e rato. Ela tascando água com mangueira, de longe, esperando que as folhas de fossem da calçada, e as amendoeiras espalhando outras milhares, ao mesmo tempo. Ela ficou tão ofendida quando balancei a cabeça com tom de reprovação que se recolheu, levando consigo a arma do crime e esbravejando algo que não entendi. Sinceramente, não me importei com isto. Jamais se lembrará de mim pelas vezes que lhe dei bom dia, mas garanto: vai demorar a me esquecer pela forma que a fiz sentir. Talvez  ela pense duas vezes antes de repetir o ato.

Na manhã seguinte, saí para caminhar. Parei numa banca para uma habitual checagem das capas dos jornais. Deparei-me com uma foto onde russos caminhavam com máscaras cirúrgicas na capital de seu país, por causa da nuvem de fumaça que tomava a cidade, vindo dos vários incêndios que ocorrem simultaneamente ao redor dela. O fogo era resultante, entre outros fatores, pricipalmente da maior onda de calor na Rússia em cento e trinta anos! Passa tanta coisa na cabeça com uma nota dessas que é difícil coordenar as idéias. Do resultado pouco expressivo da COP 15 ao escândalo dos que se negam a colaborar não assinando termos como o Protocolo de Kyoto, até a vizinha da frente que esbanja um bem precioso já escasso em tantos lugares da aldeia global.

Uma reflexão importante, a meu ver, é entender se realmente podemos nos considerar aldeia global. Aldeia remete mais a uma organização onde as pessoas moram em habitações coletivas, respeitam-se mutuamente, trabalham para o bem comum e dividem vitórias e fracassos. O que vejo hoje é que somos sim, conectados. Que as notícias vão de um extremo a outro em tempo real. Mas e os recursos? E o consumo? Paramos para pensar no bem de uma comunidade encravada nas montanhas de um país isolado qualquier, ou numa tribo indígena do Alto Xingu, num camponês europeu ou num africano desnutrido?

Estou convencido de que a comunicação para a mudança precisa redirecionar o foco. Para as grandes corporações poluidoras, deixemos grandes associações ambientais tomarem conta, fiscalizarem. Façamos parte, assinemos cartas, tratados e abaixo-assinados. Mas para os pequenos crimes praticados na nossa própria área de serviço sejamos nós menos as mudanças. Se não pelo planeta, pelo bem de toda a espécie, que seja pela preservação de uma só: a sua! Senão pelo bem de todas as tribos, sejamos egoístas. Vamos mudar de atitude pensando numa tribo só: nossa família.

Em casa sempre fiz o possível para economizar. O princípio é sempre reduzir as contas. Juntar a roupara para lavar e passar sempre com a carga total da lavadora, aproveitar a água da lavagem da roupa para lavar o quintal, e não fazê-lo com água potável, limpinha, direto da torneira. Não passar horas no banho, fechar a torneira ao escovar os dentes. Hábitos comuns, cada vez mais perdidos no tempo. Infelizmente. O que dizer então dos eternos vazamentos em tubulações d´água pelas ruas das nossas cidades, comumente denunciadas pelos moradores às companhias responsáveis (será?) e sempre com soluções demoradas? Não se pode parar de reclamar.
Para ser considerado um completo alienado, assista programas de TV aberta dominicais, julgue relevante o que michês e atrizes pornôs declaram em entrevistas no sense nos quadros do Superpop. Dê ouvidos às promessas de campanha do Tiririca (sim, ele é canditado a Deputado Federal por São Paulo) ou creia na inocência de Paulo Maluf, Garotinho, Arruda e tantos outros por aí. Só não se faça de desavisado em relação ao ponto em que chegamos ao que se refere à destruição do planeta. Isto vai além da alienação. 

Se você quer que o mundo lá fora se exploda, tudo bem. Seja egoísta. Economize por você mesmo. Gaste menos e, por conseqüência, trabalhe menos. Quem pouco gasta, pouco precisa para se manter. Vá por mim: é possível. Se cada egoísta cuidar do seu próprio quintal, recuperar o hábito de usar a vassoura para varrer, e não água, apagar as luzes quando não estiver no ambiente, desligar aparelhos elétricos da tomada, boicotar empresas que detonam o meio ambiente, o egoísmo se converterá. Boas ações em benefício próprio impactarão no positivamente no bem coletivo. E ninguém precisará se preocupar de ser tomado por chato.

2 comentários:

  1. Tiririca candidato era o que estava faltando mesmo... mas não quero falar disso...
    Parabéns pelo blog, meu amigo! Belas palavras e me alertaram para o mundo ao redor! Vou ficar acompanhando sempre! Um beijo!

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  2. Bom ver que nao estou sozinho nesse mundo, um alento pra mim saber que nao soh vc, mas mt mais pessoas estao ja bem mais ligadas para a melhoria desse mundo! Ainda tenho esperancas!

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