sábado, 16 de outubro de 2010

Show na mina... O treinamento dos mineiros chilenos para aparecer na mídia.

Não seria de se espantar caso cobrassem ingresso para assistir ao Resgate dos moneiros.
 Li uma matéria no Comunique-se que me fez refletir mais ainda a respeito do drama (ou não!) dos mineiros chilenos soterrados desde o dia 5 de agosto. Era notório que a comoção, vinda da complexidade deste resgate, nos fez esperar pessoas debilitadas e maltrapilhas saindo daquele tubo. Não somos maus, pessimistas ou carniceiro por isto.

Também já tinha passado o período de comoção, uma vez que imagens e suprimentos chegavam até eles. O que me faz pensar é que, apesar das dificuldades, o erro de cálculo foi mesmo só um erro? Ou teriam sido anunciado um prazo tão longo para a perfuração com o intuito de supreender? A mim, cheira a piada roteirizada, nada engraçada. Fica uma sensação de a qualquer momento sairia do tubo o Rafinha Bastos. Já tinham até óculos no estilo CQC. 

E "custe o que custar", de verdade, parece ser a melhor definição para a notória manipulação política da história feita pelo governo chileno. Hino, bandeira, chororô, e agora, media training debaixo da pedra? Segundo o repórter Rodrigo Bocardi, correspondente da Rede Globo publicou no Twitter, as cenas não o comoviam. Foi criticado pelas declarações e críticas ao show televisivo da mina de São José. Copiapó se transformou na Hollywood chilena. 

Daqui a alguns meses, livros, filmes, documentários, reportagens e muita história noticiosa ainda vai repercutir. Não demora muito, deve sair uma revista masculina mostrando a nudez de uma filha ou esposa de um dos mineiros. Nem vou me surpreender se ler um trocadilho do tipo "A mina do mineiro" numa capa na banca. Vai que aparece uma amante de mineiro contando futilidades do programa da Luciana Gimenes?

Fiquei feliz e acompanhei o primeiro resgate, ai vivo. Só aguentei até aí. O resto me fez pensar e constatar: notícia, mesmo, tem pouco na história da mina e dos sobreviventes. 

Prá ver show, prefiro os de música... Mas chilena não, por favor.




Abaixo, a matéria na íntegra.

Até debaixo da terra. Mineiros tiveram media training por videoconferência

Da Redação

Os 33 mineiros chilenos soterrados no norte do Chile foram treinados para lidar com a imprensa enquanto ainda estavam na mina. Os 700 metros de profundidade não foram obstáculo para o media-training, realizado por videoconferência. O jornalista e diretor da Associação Chilena de Segurança, Alejandro Pino, foi o responsável por dar aulas de expressão oral aos mineiros.

Pino conversou com cada um dos trabalhadores e conheceu suas histórias. Para ele, que coordenou outros detalhes da operação de resgate e ficou dois meses sem ver a família, esse foi o “trabalho mais importante de sua vida”, disse em entrevista ao IG.

O jornalista contou como fez o media-training, mas, por uma questão ética, não quis detalhar as histórias dos mineiros, mesmo assim, afirmou que todos têm histórias interessantes para contar.

“Dividimos as aulas em duas partes. Em uma delas, os mineiros apenas respondiam perguntas. Muitas eram difíceis e até indiscretas, pois precisava ver como respondiam e como reagiam. Ensinei, também, que eles tinham todo o direito de não responder o que não quisessem. Na segunda etapa, o foco estava em como desenvolver uma conversa. É bem provável que eles sejam convidados a participar de programas de televisão, por exemplo, e queríamos que soubessem contar suas histórias de maneira estruturada. Trata-se de um grupo de pessoas muito inteligentes e com histórias interessantes”, explicou.

Os mineiros, que ficaram soterrados por 69 dias, foram resgatados essa semana. Mais de 1.500 jornalistas do mundo cobriram a operação.

As informações são do IG.

Um comentário:

  1. Ainda bem que temos caras como você com essa visão no jornalismo hoje. Parabéns pelo texo!
    Muito bom!

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