sexta-feira, 31 de dezembro de 2010


DESEJOS

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade


É isto, amigos. No último post de 2010, deixo a todos meu abraço fraterno e meus sinceros votos de que tenham todos um ano lindo, cada qual à maneira que julgar que seja bom para si! 
Nos vemos em 2011!

Sidonio Macedo Jr.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

E-mail: uma das primeiras reportagens sobre o assunto no Brasil.

Diploma de Jornalistmo. Em 2011, a luta continua.

Li no blog Brasília, eu vi, do Leandro Fortes, um post a respeito do curso livre de Técnica Geral de Jornalismo, organizado por ele. No texto, o repórter  comenta a respeito dos seus objetivos primários e seus planos de democratizar o referido curso.

Reproduzo, no recorte abaixo, o trecho em que Fortes discorre a respeito da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. É um tema que venho acompanhando desde que tomei conhecimento do mesmo, ainda nos bancos da faculdade. 

Desde já reitero minha posição de defesa do Diploma e da melhoria da qualidade de ensino das técnicas de jornalismo e modernização dos currículos e cursos superiores no Brasil.

Ato em Defesa do Diploma de Jornalismo. Cinelândia, RJ. 2009.
(Luciana Gachet, Alice Moura, Carolina Souza, Sidonio Macedo (eu mesmo) e Fernanda Duarte)


(...) Não por outra razão, os movimentos corporativos a favor da manutenção da obrigatoriedade do diploma de jornalista, que resistiram a todo tipo de investida patronal ao longo de duas décadas, foram definitivamente golpeados com o apoio e, em parte, a omissão, da maioria dos jovens profissionais de imprensa, notadamente os bem colocados em redações da chamada grande mídia. Vale lembrar que o jornalismo é, provavelmente, a única profissão do mundo onde existem profissionais que pedem o fim do próprio diploma.  Há muitas nuances, claro, nessa discussão, inclusive porque há gente muito boa que, historicamente, se coloca contra o diploma, sobretudo velhos jornalistas criados em velhas e românticas redações, cenas de um mundo que, infelizmente, não existe mais.

Na essência, o fim da obrigatoriedade do diploma não é uma demanda de jornalistas, mas de patrões, baseada num argumento falacioso de liberdade de expressão – na verdade, de opinião –, quando a verdadeira discussão está, justamente, na formação acadêmica dos repórteres. E há uma distância abissal entre opinião e reportagem, porque a primeira qualquer um tem, enquanto a segunda não é só fruto de talento, mas de aprendizado, técnica e repetição.

Nas grandes empresas, o fim da obrigatoriedade do diploma coroou uma estratégia que tem matado o jornalismo: a proliferação de cursinhos internos de treinees, tanto para estudantes como para recém-formados, cuja base de orientação profissional é a competitividade a qualquer custo, um conceito puramente empresarial copiado, sem aparas, do decadente yupismo americano. Digo que tem matado porque esses cursinhos de monstrinhos competitivos relegam o papel universal do jornalista ao segundo plano, quando não a plano algum. A idéia de que o jornalista deva ser um profissional solidário, inserido na sociedade para lhe decifrar os dramas e transmiti-los a outros seres humanos passou a ser um devaneio, um delírio socialista a ser combatido como a um inimigo. Para justificar essa sanha, reforça-se o mito da isenção e da imparcialidade de uma mídia paradoxalmente comprometida com tudo, menos com a sua essência informativa, originalmente baseada no universalismo e no compromisso com o cidadão.

Na outra ponta, o fim da obrigatoriedade do diploma abriu a porteira para jagunços e capangas ocuparem as redações da imprensa regional, longe da fiscalização da lei e dos sindicatos, alegremente autorizados a fazer, literalmente, qualquer coisa com qualquer pessoa. Mesmo para o novo modelo de jornalismo que se anuncia na internet, baseado em disseminação mútua de informações primárias, como no caso dos vazamentos do Wikileaks, haverá sempre a necessidade do tratamento jornalístico dos conteúdos. E, para esse serviço, não há outro trabalhador credenciado senão um bom repórter treinado e formado para essa missão. Formação esta que, insisto, deve ser feita na academia e reforçada na experiência diária da reportagem.

Recentemente, li sobre a criação, em 2010, do Instituto de Altos Estudos em Jornalismo, sob os auspícios da Editora Abril. Entre os mestres do tal centro estavam o dono da editora, Roberto Civita, mantenedor da Veja, e Carlos Alberto Di Franco, do Master de Jornalismo, uma espécie de Escola das Américas da mídia nacional voltada para a formação de “líderes” dentro das redações. Di Franco, além de tudo, é um dos expoentes, no Brasil, da ultradireitista seita católica Opus Dei, a face mais medieval e conservadora da Igreja Católica no mundo.

Sinceramente, não vejo que “altos estudos”, muito menos de jornalismo, podem sair de um lugar assim.
Não tenho dúvidas de que a representação do tal instituto não é acadêmica, embora seja dirigido por Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás no governo do PT, renomado estudioso da imprensa no Brasil. Trata-se de uma representação fundamentalmente ideológica, a reforçar as mesmíssimas estruturas de poder das redações, estruturas ultraverticalizadas, essencialmente antidemocráticas e personalistas, onde a possibilidade de ascensão funcional, sobretudo a cargos de chefia, está diretamente ligada à capacidade de ser subserviente aos patrões e bestas-feras com os subordinados.

Felizmente, o surgimento da internet deu vazão a outro ambiente midiático, regido por outras regras e demandas, um devastador contraponto ao funcionamento hermético das grandes redações e ao poder hegemônico da velha mídia brasileira, inclusive de seus filhotes replicadores e retransmissores Brasil adentro. O fenômeno dos blogs e sua capacidade de mobilização informativa é só a parte mais visível de um processo de reordenamento da comunicação social no mundo. As redes sociais fragmentaram a disseminação de notícias, fatos, dados estatísticos, informes e informações em um nível adoravelmente incontrolável, criando um ambiente noticioso ainda a ser desbravado por novas gerações de repórteres que, para tal, precisam ser treinados e apresentados a novas técnicas e, sobretudo, a novas idéias.

A “era do aquário”, para ficar numa definição feliz do jornalista Franklin Martins – aliás, contrário à obrigatoriedade do diploma –, está prestes a terminar. O jornalismo decidido por cúpulas restritas, com pouco ou nenhum apego à verdade dos fatos, está reduzida a um universo patético de mau jornalismo desmascarado instantaneamente pela blogosfera, vide a versão rocambolesca da TV Globo sobre a bolinha de papel na cabeça de José Serra ou a farsa do grampo sem áudio que uniu, numa mesma trama bisonha, a revista Veja, o ministro Gilmar Mendes, do STF, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

Não será a escola de “altos estudos” da Veja e do professor Di Franco, portanto, a suprir essa necessidade. Essa demanda terá que ser suprida por repórteres ciosos de outro tipo de jornalismo, mais aberto e solidário, comprometido com a verdade factual e a honestidade intelectual, interessado em boas histórias. Um jornalismo mais leve e mais humano, mais preocupado com a qualidade da informação do que com a vaidade do furo. Um jornalismo vinculado à realidade, não a interesses econômicos. E isso, certamente, só poderá ser viabilizado dentro de outro modelo, cooperativo e democrático, a ser exercido a partir das novas mídias virtuais.

Por isso, é preciso estabelecer também um contraponto à ideologia da mídia hegemônica no campo da formação, em complemento aos cursos superiores de jornalismo. Abrir espaço para os milhares de estudantes de comunicação, em todo o Brasil, que não têm chance de participar dos cursinhos de treinees dos jornalões e das grandes emissoras de radiodifusão. Dar a eles, de forma prática e barata, uma oportunidade de aprender jornalismo com bons repórteres, com repórteres de verdade.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Natal a todos!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A "culpa" é da Marinha


Parado num sinal de trânsito, no cruzamento da São Francisco Xavier com 28 de Setembro, em frente à UERJ, ouço um homem, que dormia na calçada, acordar esbravejando.
Aparentando seus 25 anos, negro, só de bermuda e muito sujo, ele gritava:

- "Tô aqui por querer não, irmão. A culpa é da Marinha, aquela desgraçada. Me botaram prá fora de casa com tanque de guerra. Maior sacanagem. Não acha covardia, não? Acabaram com meu Alemão, fiel"! 
 
Não! Não acho sacanagem nenhuma. Se fugiu, tinha o que esconder e se acha que "acabaram com o Alemão" por terem dado um pé no rabo do tráfico, no mínimo era do bando.

Não sei onde andava a patrulha do local que não "passou a mão" na figura e foi averiguar a ficha dele. Algo apontava daquele mato sairia coelho.

Tá na cara: o Rio quer PAZ!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Homens de terno me assaltaram violentamente.


Em meio a uma semana tumultuada de entrega de Trabalho de Conclusão de Curso na Pós-Graduação, não tive tempo de escrever sobre o escândalo dos salários. Para não passar em brancas nuvens, compartilho com meus leitores uma crônica excelente do amigo Wandrews Wilson, do blog O Reino Perdido.  Você pode participar do abaixo assinado no site Petição Pública, clicando aqui.
 
 
Homens de terno me assaltaram violentamente.
 
Por Wandrews Wilson

Na calada da noite da última quinta-feira, homens truculentos, todos eles trajando terno e gravata, arrancaram bruscamente meu dinheiro. Eu ainda meio atordoado não consegui saber exatamente quantos eram. Os meliantes tentaram me convencer que não era tanto dinheiro assim, e se sentiram no direito de levá-lo sem dó e piedade.

Desesperado, argumentei que o dinheiro não era só meu, pertencia a velhinhas aposentadas, trabalhadores assalariados e gente que tem que se virar com uma miséria danada. Eles não quiseram saber. Disseram que levariam o dinheiro e voltariam todos os meses para pegar mais. Alguns se afastaram rindo, orgulhosos do que haviam feito.

Ainda com cara de babaca, com aquele imóvel olhar de trouxa, incrédulo com o que acabara de acontecer, olhei e reconheci alguns. Sim, sim, como não? Eu já tinha visto aqueles caras falando de respeito ao povo, dignidade e outras tolices que acreditamos. Uns eu sabia até o nome: Rodrigo Maia (DEM), Filipe Pereira (PSC), Carlos Santana (PT), Léo Vivas (PRB), Hugo Leal (PSC) e
outros que não valem nem apena mencionar. Causam-me repugno.


Chico Alencar e o pessoal da PSOL tentaram me salvar. Mas não conseguiram. Eram 279 homens armados de tamanha cara de pau, falta de bom senso, safadeza, vigarice, picaretagem e outros adjetivos que não consigo pronunciar. Silvio Lopes (PSDB) viu de longe, mas preferiu não interferir. Lavou as mãos.

Depois, o porta voz da quadrilha, Nelson Marquezelli (PTB-SP), tentou justificar a violência, dizendo que isso era “remunerar dignamente”. Gritei: mas o povo é remunerado dignamente? Ele ignorou com toda classe de um demagogo. Fique sabendo que tudo isso é porque num país onde o salário mínimo é de R$510,00, os deputados estavam passando fome, recebendo, por sufocantes três dias trabalhados semanais, apenas R$16.500,00. Aumentaram para módicos R$26. 723,00 mais benefícios e mordomias. Coitados.

A população precisa reagir com medidas enérgicas contra esses homens inescrupulosos. Porque ganham tanto para trabalhar tão pouco? Porque recebem até décimo quinto salário se a população que trabalha muito mais só recebe até o décimo terceiro? Isso precisa mudar!

A reação do presidente Lula diante de tudo isso foi fazer piada. Eu não estou rindo. Os brasileiros também não. Para começar, podemos mover uma
AÇÃO POPULAR!


(Nota: todos os links originais do texto, inseridos pelo seu autor, foram mantidos).

domingo, 12 de dezembro de 2010

E a pauta foi pro brejo...

Dá prá imaginar a direção e a produção do Hoje em Dia da TV Record tendo um ataque! Dá prá pensar no que o Brito Jr pensava. Mas não dá prá pensar no que essa mulher fez com o "benhê" quando saiu dali!

Esta fica pros anais da TV brasileira! Demais!

Prefeitura do Rio gasta mais de 1 milhão com show de Luan Santana.


É justo uma empresa realizar festa de confraternização para seus funcionários no final do ano? Claro! E quem não gosta? Aliás, eu mesmo não perco! Mas e quando esta empresa é uma Prefeitura, com notórios pontos de prioridade, e precisa fazer bom uso do dinheiro público?

Sim, funcionários públicos tem direito ao lazer como os funcionários privados. Mas na minha opinião, deve imperar o bom senso! Há muitos outros meios de se presentear funcionários do que com um gasto milionário, amparado por um argumento fraco, que pode ser conferido na matéria abaixo. 

O material é do site www.srzd.com.br. Resolvi divulgá-lo por entender que casos assim precisam ser cada vez mais discutidos e monitorados por todos.


Show de Luan Santana para servidores gera crítica na oposição da Câmara
Redação SRZD -| 10/12/2010

O investimento no show do cantor sertanejo Luan Santana  para funcionários da Prefeitura do Rio gerou críticas da oposição na Câmara dos Vereadores. Nesta quinta-feira, foi divulgado que a Riotur vai pagar o valor de R$ 1,3 milhão por uma apresentação do artista, como um "presente de Natal"  para os servidores.

De acordo com Paulo Pinheiro (PPS), o dinheiro poderia ter  outro destino, como, por exemplo, a ampliação dos leitos de  UTI nos hospitais do estado, destacando que dezenas de pacientes sofreram com a falta de leitos e até morreram na fila à espera de uma vaga nos últimos meses.

"Creio que numa situação dessas de crise de vagas da UTI o dinheiro poderia ser usado para isso", afirmou Pinheiro. 

Em contrapartida, o prefeito Eduardo Paes defendeu o investimento no evento: "A prefeitura investe em vários eventos culturais na cidade", disse. Cerca de 30 mil servidores devem assistir à apresentação do cantor, no próxima dia 18, na Praça da Apoteose.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Whot the fuck is Justin Bieber?

Sexta-feira e final do expediente! Maravilha. Vamos que vamos!
Muita coisa séria aqui no Outras Palavras nos últimos posts. Para descontrair, uma curta e célebre do rock man, Ozzy Obourne, sobre aquele garoto... Como é mesmo o nome... Um que cantando parece a Perlla do "tchurá tchuruuu oh ááá´"... Um que parece o Roberto Leal quando era novo...



Quem tem medo do lobo mau? Wikileaks é inimigo mundial?

Não se fala em outra coisa. No ar desde 2006, o site criado pelo australiano Julian Assange divulga documentos e outros materiais sigilosos. São informações enviadas por colaboradores, desde vazamento de informação, documentos históricos ou ações de rackers.

Grande paste da imprensa tem feito circular notícias baseadas em conteúdo disponibilizado pelo Wikileaks. A polêmica em torno dos riscos criados pelo vazamento de certas informações aumenta a cada dia. Não há, no entando, conteúdo nas matérias que relatem claramente a posição do site de Julian Assange. Uma confusão generalizada está se espalhando pela mídia em vários países. Os temas, vezes partidários, outras passionais ou desinformados e, geralmete, parciais.

Na página do WikiLeaks, a organização afirma que "tem um objetivo primordial de divulgar e trazer informações para a arena pública para incentivar uma sociedade informada" e que permanecerá "obstinadamente fiel a esse objetivo".

O endereço www.wikileaks.org  estava fora do ar durante os últimos dias. Nesta sexta-feira, finalmente consegui voltar a consultar esta que é a plataforma mais comentadada do momento. Para ajudar a cada um pensar e concluir por seus próprios mecanismos, fiz um resumo do que declara a organização em sua página:

Sobre o material aceito para publicação, o Wikileaks informa que “aceita material restrito ou censurado de grande significado político, ético, diplomática ou histórico”. Destaca porém que não aceita “rumor, opinião, outros tipos de relatos em primeira mão ou do material que está disponível ao público outra parte”. 

Muitas dúvidas e críticas surgiram sobre a checagem das informações. O site comunica que os possui jornalistas que escrevem notícias com base no material recebido, e, em seguida, fornece um link para a documentação de apoio para provar que as histórias são verdadeiras. Faz ainda uma recomendação aos colaboradores que desejam enviar material: 

“Se você estiver enviando-nos algo, nós encorajamos você a incluir uma breve descrição do motivo pelo qual os documentos são importantes e que a maioria das peças são significantes dentro do documento. Ele irá ajudar os nossos jornalistas a escreverem a história e [o material] será liberado muito mais rápido”.
 O grande problema para uns é a grande solução, para outros. O “off”, temido por tantos no jornalismo, valorizado e ostentando pelo Wikileaks, que passou a publicar notícias e documentos sigilosos assumindo um postura de proteção total da indentidade de que fornece material. O site confirma:

"Wikileaks não registra qualquer fonte de informação de identificação e há uma série de mecanismos para proteger os documentos mais sensíveis apresentados de ser obtida. Nós não guardamos quaisquer registos. Nós não podemos atender aos pedidos de informações sobre as fontes, porque nós simplesmente não temos a informação (...) Wikileaks nunca revelou uma fonte".
 Quanto ao risco de tornar públicas o conteúdo de documentos que possam colocar em risco a segurança, a organização informa que existe um processo de análise para reduzir tais impactos:

"Alguns documentos apresentados contêm informações altamente confidenciais. WikiLeaks desenvolveu um processo de minimização de danos para limpar os documentos que possam pôr em perigo vidas inocentes. Em outros casos, o Wikileaks poderá atrasar a publicação de algumas notícias e os seus documentos até entender que a publicação não causará perigo para tais pessoas. No entanto, em todos os casos, WikiLeaks só reterá os detalhes que são absolutamente necessários para esse fim. Todo o resto será publicado para apoiar a notícia exatamente como ele apareceu no documento original".
Apesar desta política, pesadas acusações pesam sobre Julian Assange por expor pessoas ao perigo com as informações publicadas no Wikileaks.

No Brasil, o assunto tem mobilizado vários setores da sociedade. A ABRAJI - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo divulgou nota em que se manifesta "a favor publicação de telegramas da diplomacia americana obtidos pela organização WikiLeaks".

A organização Avaaz, criada em 2007 para "mobilizar pessoas de todos os países para construir uma ponte entre o mundo em que vivemos e o mundo que a maioria das pessoas querem" cria campanhas online para atuar em defesa de diversas causas. Já começou uma mobilização online em defesa do site, sobre o qual afirma: "independentemente do que pensamos sobre o WikiLeaks, peritos legais dizem que eles não violaram nenhuma lei".

O Presidente Lula comentou o assunto. Confira o vídeo publicado pelo Blog do Palácio do Planalto. (Em tempo: Lula fala do "protesto contra a liberdade de expressão". Entenda-se como protesto contra o cerceamento a esta mesma liberdade).
 

Não me resta dúvida de que, qual a história de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, virou livro e filme, Julian Assange em breve tomará as vitrines de livrarias e telas de projeção mundo afora. O Big Brother de George Orwell já existe. As pessoas tem cada vez mais canais para expressar sua revolta, suas opiniões e tornar públicas as informações a que tiverem acesso. Será que o erro está em fazer circular a informação ou em tomar atitudes abusivas na política, na administração empresarial e demais relações de poder?

Não existisse o Wikileaks, outros tantos sites ou plataformas seriam criados. Uma matéria do Jornal O Globo, edição online, publicada hoje, 10/12, informa: "ex-colaborador de Assange planeja criar novo site para concorrer com Wikileaks".

É um processo sem volta. O que não podemos permitir é a falta de confirmação do que se lê nestes canais.  Lembrei-me de uma frase que cai bem nesta temática: "Verdade é bom? Apuração é melhora ainda".

(Nota: o conteúdo estraído do site Wikileaks, em inglês, foi traduzido automaticamente e corrigido por este jornalista. Achou um  erro  de tradução e quer sugerir correção? Envie um e-mail ou poste seu comentário aqui).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Natal na era digital

Vale a pena conferir este vídeo de uma empresa de serviços digitais.Esbanja criatividade e se comunica com o publico alvo da empresa aliando a campanha de Natal com o objetivo institucional. Tudo de forma leve, inteligente e sem custo de produção.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sindicato dos Jornalistas manifesta indignação contra a Rede Globo

Para o SJPMRJ, Rodrigo Pimentel está
atuou irregularmente como jornalista.

O SJPMRJ - Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro divulgou nota em seu site no último dia 06 de dezembro em relação ao comportamento da Rede Globo de Televisão durante a cobertura da invasão ao Complexo do Alemão pelas Forças de Segurança do Estado. Para o sindicato, o ex-comandante do Bope, Rodrigo Pimentel, desempenhou atividades de jornalista, e não de comentarista, como a emissora divulga.

Fiquei feliz ao perceber o Sindicato atento às práticasde dos grupos de comunicação. Como já disse antes aqui no Outra Palavras, são erros diários que desqualiificam a profissão. Não podem passar em branco.
 
Leia a nota na íntegra:
06.12.2010 -TV Globo usa ex-PM para fazer trabalho que é de jornalista
 
O Sindicato vem a público manifestar indignação contra o comportamento da TV Globo, que comete um grave erro quando transforma o ex-policial Rodrigo Pimentel em jornalista.
Na quarta e na quinta-feira, dias 1º e 2 de dezembro, Pimentel, ex-comandante do Bope, teve longas participações nos jornais locais da emissora como repórter – e não como comentarista – na cobertura da violência no Complexo do Alemão.

Empunhando o microfone da emissora e vestindo o mesmo colete azul à prova de balas utilizado pelos repórteres da emissora, o policial  chegou até mesmo a fazer entrevistas.
O erro da TV Globo torna-se ainda mais grave porque, ao confundir a figura de um policial com a de repórteres, expõe a riscos ainda maiores os profissionais da imprensa em geral que cobrem a violência na cidade, e não apenas os daquela emissora, tornando-os alvos em potencial de bandidos.

Sempre foi uma preocupação separar o ofício do jornalista e o do policial, com a finalidade de garantir a segurança dos profissionais, inclusive já demonstrada pela própria TV Globo, ao realizar com o Sindicato treinamento para cobertura em áreas de risco. Agora, a própria emissora confunde e ultrapassa os limites entre a atuação profissional de um policial com a de jornalistas.

Diante disso, o Sindicato dos Jornalistas pede que tais fatos não se repitam.
Clicando na imagem, você será direcionado so site do SJPMRJ.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Rio de Janeiro: contra quem lutamos?


"Pois não é contra homens de carne e sangue que temos que lutar, mas (...) contra os príncipes deste mundo tenebroso"...

Ao receber a imagem em anexo em um e-mail satirizando a tomada do Morro dos Macacos pelas polícia, este versículo (Efésios 6, 12) me veio imediatamente à cabeça... Após algumas risadas, claro. Perdoem-me.

Em meio ao calor do momento de violência e resistência armada sem precedentes em que vivemos na cidade maravilhosa, algo me fez pensar em quem realmente são inimigos finais da sociedade. Os soldados do tráfico, a molecada que fica na reta da bala, que mata e rouba pelo vício e pelo sustento de seus bancos?

Tem muito mais coisa aí. O Estado mesmo pode ser visto como inimigo de si mesmo, ao abandonar esta população à própria sorte, à margem do que é social e integrante. Recebe de volta, em forma de crime, o resultado do abandono e da omissão com seus filhos.

Oxalá tenhamos de agora em diante um Estado forte que se faça presente nos recantos da nossa sociedade antes que os "príncipes deste mundo". Que aprenda a tomar conta dos nossos meninos e meninas antes da droga, do vício e da prostituição ou do roubo.

São eles, os "príncipes deste mundo tenebroso", que nos cercam, nos aprisionam e nos espreitam. A nós cabe vigiar e agir. Afinal, um príncipe, por hierarquia, tende a assumir o reinado. Vamos permitir isto ou mudar este regime?

O Governador do Estado do Rio de Janeiro inaugurou no último dia 30 de novembro a 13ª UPP - Unidade de Polícia Pacificadora na cidade do Rio de Janeiro, no Morro dos Macacos. Encravado no coração do bairro de Vila Isabel, a conquista deste ponto tem "sabor especial", segundo coronel da Polícia Militar, Robson Rodrigues, comandante das UPPs, pois foi onde dois policiais morreram após o helicóptero em que estavam ter sido derrubado durante uma troca de tiros, em outubro de 2009.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Calor, Coca-Cola e falta de educação. Três pilares numa oração individualista.

A cidade que vemos é a cidade que fazemos.

Hoje o dia amanheceu quente. É um daqueles que me fazem suar litros antes das nove da manhã. Quem me conhece, sabe do que estou falando. E suar sobre um escaldante maçarico solar me irrita bastante.

Entrei no ônibus, a caminho do trabalho, e sentei-me ao lado de uma moça, aparentando seus vinte e poucos anos. Motorista lento, vapor de asfalto prá todo lado e engarrafamento completam a cena. Tudo era nitroglicerina pura, prestes a explodir.

No trajeto, a cada igreja que passávamos, a moça ao meu lado traçava sobre o corpo o sinal da cruz. E não daquela cruz estranha e de forma corrida, como fazem os jogadores de futebol ao final de uma oração, aos berros e com pausa forte entre as palavras. Era aquele sinal da cruz bem feito, bem traçado e "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"... Eu quase podia ouvir a voz do Papa quando ela começava.

A moça tomava uma Coca-Cola, pois o calor infernal do começo do dia bem que pedia. Viciados neste refrigerante, como meu amigo Janilson e eu, entendem bem o poder de um gole. O problema é o final do ato. Uma lata arremessada na rua, displicentemente, através da janela do ônibus, no meio da calçada. Alguns diriam: "Tá, mas e aí?" ou "Menos, Sidonio" ou até mesmo "Ih, virou ecochato, relaxa". Mas meu ponto de vista vai além disto.

Reparem. Tratava-se de uma pessoa adulta, aparentemente bem escolarizada e, conforme denunciava seu gesto de fé, era religiosa. Isto a obriga a ser perfeita? Não! Mas não a desobriga a ser educada e pensar na coletividade. Como profissional de comunicação, pensei extamente em que estamos errando. Em que público alvo esta pessoa se enquadra que não está sendo atingida e mobilizada pelas tantas campanhas que diariamente tomam espaço nos meios de comunicação? Ou pior: ela está recebendo a informação mas não está sendo impelida a modificar seus atos.

As pessoas insistem em desprezar os pequenos atos de respeito ao próximo e à coletividade. Eu já tratei deste assunto aqui no Outras Palavras. Se você não leu, clique aqui.

E o que dizer da religiosidade, então? Vejo tantos pastores, padres e sei lá mais que líderes sendo tão influentes sobre seu rebanho para assuntos políticos. Então, por qual motivo não vemos estes mesmos líderes se esforçando para incutir em seus fiéis conceitos de civilidade, educação ou até mesmo um projeto de limpeza urbana, reciclagem ou reaproveitamento de materiais?

Temo pela individualidade que se prega por aí. Pelos gestos mesquinhos e mal educados e pelos argumentos superficiais para não fazer por si só a mudança que se espera ver no outro. Fico inconformado, e me sinto no direito. Da minha parte, continuarei carregando na mochila, nos bolsos ou na mão cada descarte de lixo que eu produzir na rua para dar destino correto a ele. Incorformar-me me leva a dar e resposta assim: insistindo em fazer minha parte.

O verão está chegando e já deu sinais de como será: muito quente e com chuvas torenciais. Os alagamentos apareceram às centenas e eu farei questão de me lembrar desta moça e dos seus pares sociais. São os que fazem o sinal do Pai Nosso, mas rezam: "Em nome de MIM, da minha falta de educação e da descrença num mundo melhor. Amém". 

ADENDO: um dia que começa assim não pode terminar bem. Entrar na fila do ônibus, esperar um tempão em pé e após entrar na condução perceber: Charles Henriquepédia, do Pânico na TV, à paisana, entrar no mesmo coletivo sem nem ligar prá fila. Comédia que só ele. Sentou-se um banco após o meu, sacou um celular e ficou um tempão conversando. Aos berros! Bem daquele jeitão dele mesmo.

Sair da aula às dez da noite exausto, chegar em casa debaixo de chuva, entrar no prédio e perceber que falta energia elétrica. Tomar banho frio e quando acabar, a luz voltar. 


Aí eu pergunto? Tá certo isso? Nessas horas agradeço a Deus pelo meu senso de humor. Mas confesso: não estou achando tanta graça nas coisas como antes. E chega por hoje... OU melhor, chega prá sempre. "Dias melhores prá sempre"...