sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Homens de terno me assaltaram violentamente.


Em meio a uma semana tumultuada de entrega de Trabalho de Conclusão de Curso na Pós-Graduação, não tive tempo de escrever sobre o escândalo dos salários. Para não passar em brancas nuvens, compartilho com meus leitores uma crônica excelente do amigo Wandrews Wilson, do blog O Reino Perdido.  Você pode participar do abaixo assinado no site Petição Pública, clicando aqui.
 
 
Homens de terno me assaltaram violentamente.
 
Por Wandrews Wilson

Na calada da noite da última quinta-feira, homens truculentos, todos eles trajando terno e gravata, arrancaram bruscamente meu dinheiro. Eu ainda meio atordoado não consegui saber exatamente quantos eram. Os meliantes tentaram me convencer que não era tanto dinheiro assim, e se sentiram no direito de levá-lo sem dó e piedade.

Desesperado, argumentei que o dinheiro não era só meu, pertencia a velhinhas aposentadas, trabalhadores assalariados e gente que tem que se virar com uma miséria danada. Eles não quiseram saber. Disseram que levariam o dinheiro e voltariam todos os meses para pegar mais. Alguns se afastaram rindo, orgulhosos do que haviam feito.

Ainda com cara de babaca, com aquele imóvel olhar de trouxa, incrédulo com o que acabara de acontecer, olhei e reconheci alguns. Sim, sim, como não? Eu já tinha visto aqueles caras falando de respeito ao povo, dignidade e outras tolices que acreditamos. Uns eu sabia até o nome: Rodrigo Maia (DEM), Filipe Pereira (PSC), Carlos Santana (PT), Léo Vivas (PRB), Hugo Leal (PSC) e
outros que não valem nem apena mencionar. Causam-me repugno.


Chico Alencar e o pessoal da PSOL tentaram me salvar. Mas não conseguiram. Eram 279 homens armados de tamanha cara de pau, falta de bom senso, safadeza, vigarice, picaretagem e outros adjetivos que não consigo pronunciar. Silvio Lopes (PSDB) viu de longe, mas preferiu não interferir. Lavou as mãos.

Depois, o porta voz da quadrilha, Nelson Marquezelli (PTB-SP), tentou justificar a violência, dizendo que isso era “remunerar dignamente”. Gritei: mas o povo é remunerado dignamente? Ele ignorou com toda classe de um demagogo. Fique sabendo que tudo isso é porque num país onde o salário mínimo é de R$510,00, os deputados estavam passando fome, recebendo, por sufocantes três dias trabalhados semanais, apenas R$16.500,00. Aumentaram para módicos R$26. 723,00 mais benefícios e mordomias. Coitados.

A população precisa reagir com medidas enérgicas contra esses homens inescrupulosos. Porque ganham tanto para trabalhar tão pouco? Porque recebem até décimo quinto salário se a população que trabalha muito mais só recebe até o décimo terceiro? Isso precisa mudar!

A reação do presidente Lula diante de tudo isso foi fazer piada. Eu não estou rindo. Os brasileiros também não. Para começar, podemos mover uma
AÇÃO POPULAR!


(Nota: todos os links originais do texto, inseridos pelo seu autor, foram mantidos).

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