sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quem tem medo do lobo mau? Wikileaks é inimigo mundial?

Não se fala em outra coisa. No ar desde 2006, o site criado pelo australiano Julian Assange divulga documentos e outros materiais sigilosos. São informações enviadas por colaboradores, desde vazamento de informação, documentos históricos ou ações de rackers.

Grande paste da imprensa tem feito circular notícias baseadas em conteúdo disponibilizado pelo Wikileaks. A polêmica em torno dos riscos criados pelo vazamento de certas informações aumenta a cada dia. Não há, no entando, conteúdo nas matérias que relatem claramente a posição do site de Julian Assange. Uma confusão generalizada está se espalhando pela mídia em vários países. Os temas, vezes partidários, outras passionais ou desinformados e, geralmete, parciais.

Na página do WikiLeaks, a organização afirma que "tem um objetivo primordial de divulgar e trazer informações para a arena pública para incentivar uma sociedade informada" e que permanecerá "obstinadamente fiel a esse objetivo".

O endereço www.wikileaks.org  estava fora do ar durante os últimos dias. Nesta sexta-feira, finalmente consegui voltar a consultar esta que é a plataforma mais comentadada do momento. Para ajudar a cada um pensar e concluir por seus próprios mecanismos, fiz um resumo do que declara a organização em sua página:

Sobre o material aceito para publicação, o Wikileaks informa que “aceita material restrito ou censurado de grande significado político, ético, diplomática ou histórico”. Destaca porém que não aceita “rumor, opinião, outros tipos de relatos em primeira mão ou do material que está disponível ao público outra parte”. 

Muitas dúvidas e críticas surgiram sobre a checagem das informações. O site comunica que os possui jornalistas que escrevem notícias com base no material recebido, e, em seguida, fornece um link para a documentação de apoio para provar que as histórias são verdadeiras. Faz ainda uma recomendação aos colaboradores que desejam enviar material: 

“Se você estiver enviando-nos algo, nós encorajamos você a incluir uma breve descrição do motivo pelo qual os documentos são importantes e que a maioria das peças são significantes dentro do documento. Ele irá ajudar os nossos jornalistas a escreverem a história e [o material] será liberado muito mais rápido”.
 O grande problema para uns é a grande solução, para outros. O “off”, temido por tantos no jornalismo, valorizado e ostentando pelo Wikileaks, que passou a publicar notícias e documentos sigilosos assumindo um postura de proteção total da indentidade de que fornece material. O site confirma:

"Wikileaks não registra qualquer fonte de informação de identificação e há uma série de mecanismos para proteger os documentos mais sensíveis apresentados de ser obtida. Nós não guardamos quaisquer registos. Nós não podemos atender aos pedidos de informações sobre as fontes, porque nós simplesmente não temos a informação (...) Wikileaks nunca revelou uma fonte".
 Quanto ao risco de tornar públicas o conteúdo de documentos que possam colocar em risco a segurança, a organização informa que existe um processo de análise para reduzir tais impactos:

"Alguns documentos apresentados contêm informações altamente confidenciais. WikiLeaks desenvolveu um processo de minimização de danos para limpar os documentos que possam pôr em perigo vidas inocentes. Em outros casos, o Wikileaks poderá atrasar a publicação de algumas notícias e os seus documentos até entender que a publicação não causará perigo para tais pessoas. No entanto, em todos os casos, WikiLeaks só reterá os detalhes que são absolutamente necessários para esse fim. Todo o resto será publicado para apoiar a notícia exatamente como ele apareceu no documento original".
Apesar desta política, pesadas acusações pesam sobre Julian Assange por expor pessoas ao perigo com as informações publicadas no Wikileaks.

No Brasil, o assunto tem mobilizado vários setores da sociedade. A ABRAJI - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo divulgou nota em que se manifesta "a favor publicação de telegramas da diplomacia americana obtidos pela organização WikiLeaks".

A organização Avaaz, criada em 2007 para "mobilizar pessoas de todos os países para construir uma ponte entre o mundo em que vivemos e o mundo que a maioria das pessoas querem" cria campanhas online para atuar em defesa de diversas causas. Já começou uma mobilização online em defesa do site, sobre o qual afirma: "independentemente do que pensamos sobre o WikiLeaks, peritos legais dizem que eles não violaram nenhuma lei".

O Presidente Lula comentou o assunto. Confira o vídeo publicado pelo Blog do Palácio do Planalto. (Em tempo: Lula fala do "protesto contra a liberdade de expressão". Entenda-se como protesto contra o cerceamento a esta mesma liberdade).
 

Não me resta dúvida de que, qual a história de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, virou livro e filme, Julian Assange em breve tomará as vitrines de livrarias e telas de projeção mundo afora. O Big Brother de George Orwell já existe. As pessoas tem cada vez mais canais para expressar sua revolta, suas opiniões e tornar públicas as informações a que tiverem acesso. Será que o erro está em fazer circular a informação ou em tomar atitudes abusivas na política, na administração empresarial e demais relações de poder?

Não existisse o Wikileaks, outros tantos sites ou plataformas seriam criados. Uma matéria do Jornal O Globo, edição online, publicada hoje, 10/12, informa: "ex-colaborador de Assange planeja criar novo site para concorrer com Wikileaks".

É um processo sem volta. O que não podemos permitir é a falta de confirmação do que se lê nestes canais.  Lembrei-me de uma frase que cai bem nesta temática: "Verdade é bom? Apuração é melhora ainda".

(Nota: o conteúdo estraído do site Wikileaks, em inglês, foi traduzido automaticamente e corrigido por este jornalista. Achou um  erro  de tradução e quer sugerir correção? Envie um e-mail ou poste seu comentário aqui).

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