quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Antes que eu me esqueça...

Há algum tempo comentei aqui no blog sobre a epopéia para conseguir receber meu Diploma de Jornalista após quatro longos e produtivos anos de faculdade.

Passado o aborrecimento e já com o bendito diploma em mãos, descobri que tudo nesta vida pode piorar... E encarei mais uma batalha: esperar alguns meses pelo meu registro no Ministério do Trabalho ficar pronto.

Mas eis que tudo se resolveu: o registro saiu, conforme nova classificação, como JORNALISTA PROFISSIONAL. Assim é designado o jornalista POR FORMAÇÃO na carteira profissional. (OBS: jornalista não diplomado é registrado apenas como jornalista).

Este sou eu: Sidonio Santos Macedo Junior, JORNALISTA PROFISSIONAL - MTB 31856/RJ.

Na torcida pelo sucesso da PEC 300, antes que eu me esqueça:
 

Gilma Mendes e o "Deputado": gêmeos separados na maternidade,
ambos fazem palhaçada para ganhar a vida.

Máquina vende água suja por US$ 1

Uma boa ideia, de implementação barata e que atingiu em cheio o objetivo da comunicação. Leia para entender. 


Há oito diferentes sabores da bebida: malária, dengue, hepatite, febre amarela e outras doenças
 
Bebeu água? Tá com sede?

Uma máquina que vende comidas e refrigerantes tem causado espanto nas ruas de Nova York.
Diferente das iguarias comuns, esta vending machine vende água suja por US$ 1. E, como não bastasse, ainda há oito sabores para se escolher, como málaria, dengue, febre amarela e outros.

Trata-se de uma estratégia do fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef) para mostrar como milhões de pessoas em todo o mundo sofrem as conseqüências de beber água contaminada diariamente devido a falta de acesso a água potável.

A ideia da campanha foi da agência de publicidade americana, Casanova Pendrill, que resolveu reciclar uma antiga máquina e colocar garrafas de água misturadas com areia e tintas para chamar a atenção das pessoas que passaram pelas ruas. Segundo a agência, não houve nenhum investimento para a criação desta campanha.

A máquina serve para fazer doações para o fundo e está causando bons efeitos. Já foram registradas mais de 7.500 contribuições, fora as doações por SMS e pelo site da entidade. 

E-book gratuito: Suprassumo Mídia Boom

O Coletivo Mídia Boom lançpu em janeiro de 2011 o primeiro volume de seu e-book Suprassumo Mídia Boom. É o resultado da seleção de 14 artigos dos colaboradores diretos do blog, publicados de outubro a dezembro de 2010 – artigos que tratam essencialmente de comunicação, marketing, cases, ideias e estratégias digitais.

Para não ser um e-book com conteúdo idêntico ao já disponível no blog, os artigos passaram pela revisão de seus autores – com o auxílio dos editores –, que atualizaram e acrescentaram informações que julgaram relevantes, uma espécie de upgrade. Foram ainda adicionados a cada artigo os comentários agregadores, para prestigiar a interação e conhecimento da audiência.

O projeto do e-book é uma ótima maneira de mostrar o trabalho e profissionalismo de todos os envolvidos no Coletivo Mídia Boom, blog que vem se destacando na cena de mídias sociais, marketing e comunicação no Brasil.

(Com informações da Assessoria de Imprensa).

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DROPS Comunicação: Wise Up e sua perda de foco

A Wise Up é uma escola de inglês que, há alguns anos, entrou  no mercado, incialmente posicionada como top. Teve como primeiro rosto a linda Bruna di Túlio. Depois, já com o ator Rodrigo Santoro, reforçou sua proposta: seriedade e rapidez. Seria uma escola que atenderia adultos e ensinaria inglês em 18 meses. Destacou sempre que o aluno adulto não teria que conviver com adolescentes no ambiente de ensino.

Bruna di Tulio e Rodrigo Santoro: campanhas com foco no tempo.
No momento, o que se vê é uma instituição que parece, não estar lutando não para se reposicionar, mas para destruir sua imagem e reputação com posturas contrárias às que tinha até então. Total descontrução da reputação já conquistada.

A primeira "supresa" da Wise Up foram campanhas em mobiliário urbano informando o lançamento do Wiseup Teen. É o melhor estilo faça o que eu falo, não faça o que eu faço. E regado a Felipe Neto e Fiuk como garotos propaganda, agora a escola que só foca (ou focava) o público adulto quer os adolescentes em turmas especiais.

Vale lembrar que o filho de Fábio Jr é um dos mais criticados pelo vlogueiro. Já trocaram farpas no Twitter, inclusive. Ok, ambos são fenômenos teen, mas a divergência de ideias fica clara a todo tempo. Alguém acredita que um curso som expertise em ensinar "adultos" será melhor para as mentes dos jovens de hoje em dia?


E para não deixar passar em branco, o melhor (do pior) ficou para o final. A nova campanha de TV da Wise Up tem como garoto (ou garota?) propaganda o nada sério Fábio Porchat. Alguém consegue pensar em algo que fica mais distante da imagem da Bruna di Tulio ou do próprio Santoro? A conotação da peça é de propaganda de sabão em pó, tentando provar que é mais caro mas, no final, sai mais em conta. E OMO deveria agradecer a lembrança.

Segundo Sandro Serzedello, Diretor de Marketing do Ometz Group, detentor da marca Wise Up "Santoro continua na parte institucional da marca, traduz a mensagem de que o inglês é fundamental para a ascensão profissional. Porchat vem com a pegada mais comercial, instigando os telespectadores a fazer as contas".

A própria empresa tentando explicar o uso de pessoas com imagens tão adversas e mudanças tão sérias e radicais de foco já prova uma falha visível na concepção da mudança e da forma de comunicá-la.

Se é preciso explicar muito significa que não está sendo convicente nem para a própria Wise Up. Se a coisa seguir por este caminho, tendo a ter pouca dúvida de que a Wise Up vai sucumbir, graças à própria falta de foco, em pouco tempo.
Nova "pegada" comercial: custo do curso.
Enquanto isso... Um cocorrente lança campanha tendo Bruce Willis como garoto propaganda, em filme bem humorado de olho no público jovem, que sempre atendeu, e no qual mantém o foco há décadas. E fique claro que isto não é patrocinado.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

DROPS COMUNICAÇÃO: Informação a quilo?

Créditos da imagem: Blog Propagando

Um pensamento do Carlos Nepomuceno em seu canal do Twitter me instigou:
Nada é mais 2.0 do que um restaurante a quilo: todo mundo se serve, não tem garçom e ninguém consegue conversar direito.
Pensando a respeito, encontraremos (pelo menos eu encontrei) uma analogia muito coerente com o mundo atual. Lembrei-me de um dado interessante que vi recentemente: "estima-se que a quantidade de informações que são publicadas em uma semana no New York Times em uma semana é maior do que uma pessoa do século 18 recebia durante toda a sua vida".¹

Estávamos preparados para isto? Fomos treinados para a seleção do que nos importa no meio meio deste bombardeio de informação?
Penso que o segredo, assim como quando estamos diante de um buffet de restaurante a quilo, está em não se deslumbrar com tudo e provar tanto que não se assimila nenhum sabor. Deve-se saber escolher tão bem que sacie a "fome de informação" com escolhas acertadas e que não nos entupam depois. 

Alimentar-se de informação errada e em excesso dá má digestão... mental.

Link encurtado para deste Post, para tuitar ou publicar no mural: http://migre.me/3Rk6L

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Friburgo

Recebi este texto por e-mail e realmente mereceu ser compartilhado aqui. Os créditos, a princípio, são creditados a Márcio Madeira, informação que não pude confirmar. Contudo, a força do relato, independente de quem o tenha escrito, merece destaque. Leia e entenda.





Friburgo, 
Por Márcio Madeira

De um lado, o pesadelo.

Uma madrugada sem dormir, a falta de luz, o alto barulho da chuva vencendo um silêncio de tensão compartilhada. Ta chovendo demais, ta chovendo demais. Pela janela a luz de relâmpagos revela a rua alagada, enquanto o estrondo e o chacoalhar de um carro que tentava escapar revelam o enorme buraco escondido pela água escura. O dia amanhece, os olhos ainda exploram os estragos visíveis, quando o som indescritível de uma avalanche anuncia algo de grandioso acontecendo. O coração dispara, o olhar se volta para a esquerda, e a consciência duvida do que os olhos estão vendo. Todo o morro esta descendo. É muita, muita terra. O entulho some da vista, escondido pelos prédios. Um forte estrondo é ouvido, surge uma gigantesca nuvem de poeira. Não era encosta, não havia falhas na topografia nem tampouco casas em local de risco. É mata nativa, reserva natural. Se ali está desabando, então todo o resto já terá caído.

O pensamento se volta para os amigos que ali residem. Nomes, rostos. Corremos para o telefone. Mudo. Ainda chove forte, mas é preciso ir lá ver. Há lama e destruição por todos os lados, pessoas choram e correm. Na rua anterior um verdadeiro rio impede a passagem, permitindo apenas ver um caminhão dos bombeiros esmagado por entulhos. “Seis bombeiros morreram” – alguém diz, aos prantos. Não era boato. Mais alguns minutos e a chuva para. Podemos chegar mais perto.

Corpos passam em macas o tempo todo, bombeiros perguntam se alguém tem experiência em primeiros socorros ou reanimação. É difícil saber qual a melhor forma de ajudar. Amigos de infância estão debaixo de uma montanha de lama e escombros, onde antes havia belas casas tradicionais. Uma grávida é resgatada enquanto dá à luz um filho morto. Do outro lado da praça, a água cobre carros e pontes, invade o shopping. Pessoas buscam lugares elevados, cachorros nadam a seus lados. Há pânico e informações desencontradas por todos os cantos. “A igreja de Santo Antônio está destruída”, “o teleférico acabou”, “edifício tal está para cair”, “fulano de tal morreu”, “estrada tal está interditada”, “tal bairro não existe mais”.

Uma volta pela cidade começa a dar a dimensão da tragédia, enquanto a luz não volta e não é possível ver os jornais. A coisa foi grande, foi muito grande. Devem estar tentando falar com a gente, querendo notícias. O drama extrapola os limites da zona atingida. Não há como tranqüilizar amigos ou parentes. Voltamos para casa. A comida na geladeira ameaça estragar. É preciso fechar o registro de água, para que a lama e o esgoto não contaminem o que resta na cisterna. É preciso economizar. Há pessoas presas em elevadores, e a luz não voltará em menos de dois dias. A subestação foi afetada, postes caíram, e há fios de alta tensão entre os escombros, onde também há vazamento de gás. O comércio está fechado, hospitais estão isolados e/ou destruídos, não há gasolina. Amigos se reencontram e cumprimentam em silêncio. Não cabe perguntar se está tudo bem, é preciso buscar novas formas de saudação.

O sol se põe, é preciso tentar dormir. Mas como? Bateria do celular começa a acabar, na eterna busca por sinal. Lanternas e velas se esgotam apesar do racionamento. O mundo fica cada vez mais escuro, somos todos cegos. A noite se arrasta no medo de que volte a chover. Um banho rápido e gelado no escuro talvez ajude a passar o tempo e a diminuir um pouco a sensação de angústia e tensão.

O sol torna a nascer. Parentes de vítimas não se afastam dos montes de escombros. Passaram a noite por lá. Não existem ônibus circulando, pessoas caminham dias inteiros. O dinheiro é curto, bancos e caixas eletrônicos não funcionam. Filas se formam nos poucos estabelecimentos que se atrevem a funcionar. A entrada de pessoas é controlada, pois há medo de saques. Os preços se multiplicam, uma única vela pode custar até dez reais. Revolta e tristeza invadem a alma: “há necessidade disso? Já não sofremos o bastante?”.

A presidente está na nossa rua, os helicópteros não param. “A coisa deve ter sido ainda maior do que parece” – pensamos. Ainda sem luz, não temos tanta noção. A cidade se enche de bombeiros, policiais, homens do BOPE, da Guarda Nacional. O Exército também está aqui, é muita gente trabalhando. Na praça ergue-se um hospital de campanha; no Instituto de Educação um IML é improvisado. Um médico pede um pouco de pomada descongestionante, pois o cheiro dos corpos já em decomposição começa a se tornar insuportável, e se espalha por toda a cidade.

Uma grande caixa d’água se rompe num bairro afastado. A notícia ganha proporções catastróficas no boca-a-boca de uma população apavorada. Interfone e telefone tocam ao mesmo tempo. “Corre que a represa rompeu, vai inundar a cidade inteira, a água vai chegar até o segundo andar”. Bombeiros apavorados sobem em caminhões, doentes são transportados para os andares superiores de hospitais improvisados, pessoas são pisoteadas e atropeladas, ou brigam ferozmente por uma vaga nos caminhões que abandonam o centro à toda velocidade.

Não haveria volume d’água na maior represa da cidade que fosse suficiente para causar nem um milésimo do que era alertado, mas pouca gente consegue pensar calmamente quando até mesmo os militares estão em pânico. Alarme falso, terror real.
 

De outro lado, a esperança.

Caminhões com donativos começam a chegar um após o outro, enquanto pessoas surgem de todas as cidades dispostas a ajudar. Os telefones começam a tocar timidamente, ainda é difícil conseguir contato. Do outro lado da linha vozes amigas choram de alívio a cada alô.

Boas notícias surgem, de vez em quando. Existem sobreviventes, algumas pessoas são resgatadas com vida. Em Friburgo, no bairro de Duas Pedras, o morador da casa mais alta, próxima à Fundação Getúlio Vargas, sente a estrutura de sua casa balançar e sai de imediato. Desce a rua no escuro e debaixo de chuva dando o alarme do desabamento iminente aos seus vizinhos. O morro desaba, mas nenhuma vida se perde ali. Herói da vida real, prefere
o anonimato.

O trabalho no voluntariado consola e renova. A sensação inigualável de servir e ser útil, a admiração por ver pessoas de fora trabalhando tanto ou mais que nós, os interessados. Descarregar um caminhão dá muito mais
trabalho do que parece, descobrimos isso rapidamente. E imaginar que, em algum lugar do Brasil, este mesmo trabalho estafante foi feito com alegria por pessoas que nem sequer nos conhecem…

A ajuda material é, a um só tempo, útil e simbólica, pois carrega em si uma mensagem invisível. Sacia as necessidades do corpo, cura as doenças da alma. Uma garrafa d’água não é só uma garrafa d’água. É uma declaração de amor e de apoio, de alguém que saiu de casa e foi comprar, levou para o posto de coleta, onde pessoas com amor carregaram o caminhão. É, portanto, material sagrado. É sacrifício do povo, é atitude, é gente comendo menos para que outros possam comer alguma coisa. É carinho materializado.

Nos hemocentros, filas se formam com doadores. Doadores de sangue, doadores de vida. Gente que literalmente deseja dar parte de si mesmo ao próximo. Impossível se manter o mesmo diante de tantas forças, sejam elas tristes ou bonitas. De certo modo, é justo dizer que todos nós morremos debaixo do lamaçal. Não somos mais os mesmos, nem temos o direito de ser.

A consciência sobre as bênçãos e responsabilidades de simplesmente estar vivo se amplia indefinidamente. Continuamos aqui, por algum motivo. Estamos sendo abraçados, protegidos. É preciso justificar isso, é preciso trabalhar, honrar os que se foram, e os que estão ajudando. A vida nos deu uma página em branco. É preciso reconstruir, e fazer uma cidade melhor e mais segura do que antes. É preciso renascer, tornar-se uma pessoa melhor e menos alienada, abandonar o superficial e voltar os olhos ao essencial. É preciso ajudar a quem precisa, dividir o que se tem. Há que brotar vida verdadeira desta mesma lama, adubada por tantos amigos inesquecíveis que por lá pereceram.

A luz voltou, e os jornais falam em tragédia anunciada. Meia verdade. Em Petrópolis e Teresópolis choveram 130 mm. Em Friburgo foram 182. Em algumas cidades a tragédia de fato se concentrou em bairros periféricos e casas em locais de maior risco. Em Friburgo, reservas naturais e mansões desabaram da mesma forma. Casas de classe média alta, a 200 metros de encostas, foram soterradas. Não houve distinção. Falar em drenagem ou muros de contenção diante de tamanha potência é fazer piada de mau gosto. Útil, sim, seria um plano diretor livre de demagogias, e um sistema de alarme eficiente, como o herói anônimo de Duas Pedras.

Chega o domingo, e com ele os primeiros raios de sol. Faz um dia bonito, apesar da poeira, e quando começa a anoitecer o céu assume uma coloração azul deslumbrante. Uma leve brisa sopra pelas ruas 
desertas, e, por um instante, as sirenes dão uma trégua. Fecho os olhos por alguns segundos torno a abri-los. Perco o olhar nas estrelas e me deixo levar. Em minha cabeça ouço nitidamente a voz vigorosa de Renato Russo cantando.

“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã…”