terça-feira, 29 de março de 2011

Cercado de nada, uma multidão de vazio.


Faz tempo que não escrevo para meu "journal".
Faz tempo que não escrevo nada.
Faz tempo que não escrevo para nada, ou para muito...
Para mim mesmo ou para os demais. É. Faz tempo.

Tenho andado sem sono... Só na hora de dormir. 
Tenho muito sono nas horas que impróprias, durante o dia. 
Claro, isto seria mais que óbvio. 
Tenho refletido sobre as voltas que a vida dá, sobre estar aqui, estar acolá.

Meus amigos estão se espalhando pelo mundo... 
Canadá, China, Austrália, Portugal, Estados Unidos...
Até eu, numa escala menor, parti.
De cidade, de costumes, de rotinas. Parti!
Não parti dos bons amigos. 

A amizade não parte. Parte a presença física, fica a material.
Amigos ainda vão chegar, conquistar espaços, e depois partir. 
Também eu terei espaço na vida de alguém, 
e serei em algum momento um amigo que parte.

África, Ásia, Oceania, América ou Europa. Quiçá nos Pólos do planeta...
Em qualquer canto por aí, acabamos encontrando alguém. 
Acabamos por ver alguém partir. 
Fica saudade do tempo vivido, compartilhado e do que ainda não foi, 
Do que é apenas sonhado.

Ficam as fotos, os sorrisos, o choro, 
A festa e o luto vividos juntos, apoiando-se como amigos.
Rumos, norte, sonhos.
Objetivo, meta, destino.

Curso normal. Migrar, mudar, buscar, 
Acostumar-se com o longe e com o perto.
A vida segue. Seguimos com ela. 
Dias com vontade, outros nem tanto, vamos arrastados. Mas sem escolha. 

Só vamos.
Sós vamos.
Vamos a sós.
Vamos nós!

Texto de minha autoria, publicado originalmete em 25/03/2006. 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Olha...


Olha ao teu redor agora. Vê! Há um calor que congela, uma multidão que isola, companhia que te faz sozinho e a frieza destes sentimentos dolorosos. Olha! Ainda que a tua coragem de ter medo vença, que perca o medo de ser forte. Tenta desta vez o que outrora desististe. Insiste. Vaga e retorna, pois sempre tens um porto, visto que nunca tivestes um lar. Desta forma não te arrependas, não te prendas pra não ter que voltar. Olha pra dentro de si agora. Obedece ao contrário, volta quando disserem para partir e parte quando ouvir um pedido: -“Fica!”.

Sê forte, contraria, mas não faça o que não te faz ser quem você quer ou ser e quem você é. Sofre de amor, ama odiar, odeia e chora quando pensar em amar. Mas não leve à lógica essa vontade besta nem estes versos incertos, de sentido reverso que querem confundir sua vontade louca de explicar. Faça como os loucos que em sua suprema sanidade permitem-se à inconseqüência de se esquecer quem se “É”. Diante da vontade latente e deste mundo ausente, que te consome, te sufoca, e na fome alimente os seus desejos e sonhos de sorrisos e lágrimas, de choro contente, sua vida, seu lar! Quão choro de crianças, suas lutas, suas danças, seu sorriso manhoso, de colo desejoso, recobra a inocência na malícia de suas travessuras puras e gostosas.

Ah, que bom seria se ao menos no seu quarto, na intimidade, em seu espaço, tivesse coragem de cantar, sozinho e louco. De rir de si mesmo. Nem que só um pouco... Extravasar a delícia de ser só mais alguém que se acha, que se encontra, se entrega e se encanta, como um louco poeta, que escreve loucuras e não quer explicar, que contradiz, que copia, que é original, que recria...

Olha à tua volta. Esta viagem pode durar um segundo dos ponteiros e este tempo pequeno, que passa num lampejo, no longo tempo que dura um desejo, pode trazer-te uma grande mudança. Pode trazer de um instante a lembrança e o devaneio de deixar tudo... O estranho e o escuro, e buscar outro canto, mais calor, acalanto! Olha à tua volta. Quando absorver esta realidade verá que ela não existe, foi criada! Só tua vida é alterada e alterável, moldada. 

Por sua vontade, por sua fome, por um amor que hoje chega e amanhã some, deixando rastros a apagar, cartas por rasgar, planos a desfazer e nova hora pra conquistar. Escreve sua poesia! Compõe tua música, tua melodia, mas uma prece, um pedido, escuta deste estranho amigo... Olha à tua volta! Descubra a riqueza do nada e a pobreza farta que a cor dos olhos, da verdade pura e a certeza, podem revelar...
Ah! Se olhasse a tua volta...

NOTA: Texto de minha autoria, escrito em Manaus - AM, em Julho de 2005, onde estive a trabalho por vinte dias. Postado pela primeira vez no meu extinto canal Live Journal em 02/12/2005.

terça-feira, 22 de março de 2011

DROPS COMUNICAÇÃO - Felicidade e crítica numa coisa só!

Em 27 de Outubro de 2010 comentei, aqui no Outras Palavras, que acabara de receber da professora e querida amiga Albertina Ramos um e-mail informando que ela lançaria um livro. De imeditato, tratei de anunciar o fato, tendo recebido uma visita da própria ao post.

Pois bem. Em 16 de fevereiro uma notícia, desta vez terrível, me foi dada: Albertina Ramos havia falecido de complicação cardíacas, agravadas por uma forte pneumonia. Ficamos, amigos e conhecidos, consternados e desacreditados diante do choque.

Lembrei-me de que não houvera um lançamento e não saberia como encontrar um exemplar do livro "Use bem a língua". Não poderia deixar de ter comigo a obra e guardar, ao menos em papel, as palavras e o jeito alegre e entusiasmado da nossa Tina ensinar a língua portuguesa - coisa de quem trabalha com o que ama e exerce magistério com paixão.

Descobri o site da editora que lançou o título, a carioca Livros Ilimitados. É um projeto que tem dado chance a autores novos, publicando suas obras. Comprei o livro pelo site e gostaria de registrar aqui algumas impressões.
  1. O site é bem precário. Leve, mas com muito a melhorar.
  2.  A compra é rápida, apesar de tudo, e o pagamento via PagSeguro Uol.
  3. Não existe uma área do Cliente, onde se possa logar para acompanhar a confirmação do pedido.
  4. Não há divulgação de telefone de contato no site.
  5. Fiquei dois dias tentando contato pelo telefone, num número informado pelo PagSeguro.
  6. Esta é uma das poucas seguranças - comprar pelo PagSeguro da UOL.
  7. Resolvi reclamar da dificuldade de contato no Twitter, achando a conta deles: @livrosilimitados. A resposta demorou dois ou três dias.
  8. Minha preocupação era uma só - mesmo tendo preenchido os dados de entrega para meu trabalho, a confirmação do pedido - na verdade, da liberação do pagamento para a Livros Ilimitados - dava como endereço de entrega minha casa, onde poderia não haver ninguém para receber a encomenda.
  9. Não veio mesmo nenhum e-mail agradecendo a compra, dando número de protocolo ou confirmando o pedido.
  10. Depois da novela, disseram ter recebido meu e-mail, isto via Twitter, e que o pedido estava sendo enviado. Nem preciso dizer que o livro veio prá casa e não para o endereço que pedi no formulário, preciso?
  11. Fiquei chocado com a baixa qualidade do material editorial. Folhas finas, tinha falhada, design que merecia revisão...
  12. O produto chegou em envelope de papel pardo, preenchido manualmente. Péssimo cuidado com o produto e com a imagem da empresa.
Meu eterno pesar por não ter podido comprar
direto da autora no lançamento.

Enfim. Não chega a ser um estresse tão grande, visto que meu carinho por Albertina me faria ir a qualquer lugar para ter esta última recordação - infelizmente não autografada, como eu queria. 

Fica o alerta. Todos os erros apontados são primários. Tivesse eu recebido o livro no endereço informado em embalagem mais bacana, a qualidade inferior de papel sequer seria notada. Do cuidado com a embalagem e material gráfico, à falta de e-mails de confirmação ou área do cliente para acompanhamento, tudo custa pouco diante do dever de atender bem.

E fique claro - R$25,00 é uma bagatela por um livro de 50 páginas, coisa que jamais pagaria, repito, não fosse um título que tem valor afetivo tão grande para mim!

Devo ressaltar, porém, que no Twitter e no Facebook a Livros Ilimitados tem perfis muito mais ativos, interessantes e tem crescido em qualidade de publicações. Mas, de novo, repito: o objetivo destes canais é captar imagem positiva e compradores, que perdem o encanto com a falta de cuidado no final do processo.

Eis a dica para os amigos não se assustarem e, de quebra, um bom feedback - quase uma consultoria - para que os editores se esmerem e busquem qualidade, pois tendem a sumir do mercado mais rápido do que entraram com tal descaso com seu produto e seus "patrões", os clientes.

Lembrando: a jóia que vocês tem em mãos é o último trabalho de uma professora amada, ser humano admiradíssimo e, se bem trabalhado, pode vender muitos exemplares. Infelizmente a autora não estará aqui para colher os frutos.

PS - Tina, aí do céu,  receba mais uma vez meu "muito obrigado" por tudo que fez aqui na Terra por nós. Amei seus textos. Manda um abraço pro Drummond por nós. Saudades, querida!

sábado, 19 de março de 2011

Obama no Brasil.

Meu direito de pensar livremente (até que uma redação assine minha carteira) me fez refletir a respeito e, num resumo geral do que acredito e do que li por aí, esta visita do Presidente do Mundo dos Estados Unidos da América à Bruzundanga ao Brasil se dá, de verdade, pelos mesmos motivos de sempre.

O "comício" que marcara para a Cinelância foi cancelado. Na tv, populares se demonstrando desapontados. Vi uma senhora sendo entrevistada que, por Deus, sequer sabe onde fica a América ou o que realmente faz o Obama, mas estava praticamente acampando para ver o poderoso chefão o líder de renome mundial de perto. Pelo que  elerepresenta politicamente? Nada. Por ser famoso, né?

Enfim, este teatro se resume em dois atos. O primeiro, bem tradicional e já amplamente encenado, e o segundo, cheio de mistério, magia, encanto, sedução de política da boa vizinhança. Quase um episódio de Chaves (o do SBT, não o da vuvuzela Venezuela).


ATO 1 - O Mercantiliso de sempre
Querem fazer o que sempre gostaram muito na balança comercial: comprar matéria prima barata e vender industrializados caros (salve aulas de história com Dona Eulália no 1º Grau).
Ainda que o presidente ex-presidente Lula e a ministra Dilma digo, Presidente, Presidenta Dilma ressaltem que extamos focando em exportar cada mais mais manufatura e tecnologia, acordemos: uma Infraero só não faz verão.

ATO 2 -  Passe libre para Copa 2014 e Olimíadas 2016
Alguém engoliu mesmo que abrir as porteiras dos EUA alegando que menos de 5% dos vistos são negados, logo, pode-se ignorar tanta burocracia, é o motivo real? Acorda!
No fim, nos bastidores, é tudo pelo oba-oba passe livre. A americanada economiza time and money (já que um é outro para eles) tanto na Copa como nas Olimpíadas.

Obama segue livrando sua galera desobrigando seu povo de se submeter a pedidos de visto e perda de tempo com autorização para entrar "neste paisinho sulamericano" nesta nação em desenvolvimento. Em troca da bondade toda no acordo, a brazucada (da Barra e redondezas) baba de felicidade por ir prá Disney sem escalas no consulado americano. 

EM TEMPO:
1) Estivesse o Wikileaks trabalhando livremente, seria bem capaz de vazar o conteúdo de uma reunião na Casa da Mãe Joana Branca documentando exatamente isto. Mas Julian Assange tomou uma cala boca foi preso... O resto você sabe...

2) Este é um blog sempre carregado das minhas opiniões. Então, como não tenho interferências editoriais, escrevo a merda que me der na telha livremente, sem me preocupar com censura, os cortes. Será?

3) Se você acha a análise muito profunda e meio "teoria da conspiração", vai ler ver a Playboy um gibi. E vote 0800-33 33 33 (Respira, de novo 33. Seu pulmão estão bom...)

4) Se você acha que isto é só uma análise rasa, beleza também. Eu não sei nadar mesmo... Vote 0800-666 666 (E reclame com José Mogica Marins).

quarta-feira, 16 de março de 2011

DROPS COMUNICAÇÃO: Mulheres "involuídas"

A Bom Brill, aquela das 1001 utilidades, resolveu "inovar" mais uma vez. Já tendo experimentado o gosto da queda ao fechar os olhos para o fenômeno Assolan, que tomou boa parte da fatia de mercado da então líder, a empresa, que tem como principal garoto propaganda Carlos Moreno, símbolo, não só da Bom Brill, mas da publicidade nacional, anunciou planos de diversificação.

A nova empreitada agora é a campanha "Mulheres Evoluídas". O primeiro filme que assisti mostra Marisa Orth de terno, comandando a bancada tradicional de onde Carlos Moreno encarnou personagens épicos. O texto da campanha sugere que "homem é quase um cachorro". Tenta ser engraçado mas, para mim, não passa de grotesco. Tudo está em falta. Do bom senso à criatividade.

Num mundo em que a mulher luta por cada vez mais espaço - e o conquista - fica descabido uma campanha que incentive animosidade entre os sexos. Uma questão básica é que a campanha fala de "mulheres evoluídas", mas ignora o seguinte: as mulher que se sente realmente evoluída dificilmente quer pensar em produto de limpeza. Pelo menos as que eu conheço e questionei. E não é comprando um detergente Bom Brill que a mulher vai fazer o marido encarar a louça da cozinha após o jantar.

Não estou afirmando que a estratégio de usar outras personalidades para falar da linha completa e deixar o Carlos Moreno para a esponja de aço está errada. O problema, para mim, é a temática. Principalmente por ter período de veiculação determinado.

Não levei a menor fé de que, além de views e uma possível curva de venda, esta campanha tenha muita chance de manter a linha Bom Brill da preferência da consumidora. Vá lá que a concorrência peca tanto quanto, haja visto os insanos Minus (???) da Minuano. Quem já comprou esta marca por causa desta besteira?

Mas enfim... Vamos esperar para ver. Da minha parte e no meu humilde ponto de vista, esta é mais uma furada da Bom Brill, que ultimamente até pode cometer 1001 erros, mas já não tem tanta utilidade.


Alguma dúvida de que este clichê...


Não supera a criatividade?