terça-feira, 25 de outubro de 2011

Registro

Quando eu muito escrevo 
é por precisar gritar 
para dentro 
de mim 
mesmo

Dez





Faz dez dias que não te vejo

E no constante passar do desejo,

Clamo ao tempo, tento,

Busco e chamo saudade, relento!


Faz dez horas que não te ouço

Que não tem teu som, teu tom

Teus acordes, teu nome, tua fonética,

Tua melodia de claro e marrom...


Faz dez minutos que não te lembro

E não lembrar-te me lembra a saudade...

Desejo tê-la, na loucura das horas,

No mais movimentado, desacampado ou cidade...


Faz dez destinos que não te encontro

Em dias que passam passando,

Não os conto! Se contá-los perde-se o encanto...

Canto! Faz dez destinos e ainda amo!


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

a+ Medicina Diagnóstica: "Para não dizer que não falei de flores"...

Achei super bem cuidado o lançamento da a+ Medicina Diagnóstica na televisão. Comunicação decente, bem pensada e, certamente, bem planejada. Gostei da temática, das cores, da marca e da abordagem suave, se assim posso classificar.

Porém, nunca havia me candidatado a experimentar o serviço pelo simples fato de que, há seis anos, faço meus exames no Laboratório Sérgio Franco, que mantém um histórico gráfico dos índices e facilita minha vida, concetrando tudo num só lugar. Até que...

Bom, precisei fazer um exame de imagem e a data disponível no local de costume era muito aquém da necessidade. Busquei opções e, para minha surpresa, havia disponibilidade no a+ na mesma semana. Marquei! E me impressionei!

O que era antes o Laboratório Maiolino, agora parte de uma rede sobre a chancela do Grupo Fleury, não se apresenta com mais do que precisa. Tem um ambiente bem cuidado, mas não tenta se vender como um centro de tecnologia com cores e mobiliário que lhe confiram uma cara hi tech. E tem muita gente por aí que acha que com este tipo de decoração vai fundamentar suas marcas... Só que não é bem por aí

Simples e funcional. É a impressão geral da nova marca para mim. São 94 endereços distribuídos em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Pernambuco.A marca erra? Sim! Tem muito a corrigir, aliás. Detalhes mínimos que expõe seu conceito à dúvida e causam demora na conquista da confiança. Entre os que merecem ser citados, esperei 50 minutos a mais do que o que estava agendado. Mas... A simpatia da médica que me atendeu para o exame foi tamanha que tudo se dissipou ali: a impaciência, a correria, o desgaste.

Ultimamente tenho reclamado bastante aqui no blog. Mas o Outras Palavras está aqui para isso mesmo: minha indignação com certas coisas pode ajudar o outro a encontrar um caminho, a discordar, a pensar... Mas também uso o espaço para destacar aquilo que vejo como promissor.

No caso do laboratório, que é um serviço que não usamos todo dia, logo, cai no esquecimento, é priomordial que o atendimento prestado cause satisfação tamanha que nos provoque sempre a lembrança e fixe na mente do consumidor e / ou paciente sua marca. É o que chamamos de "patrimônio intangível" da marca.

Na minha opinião pessoal, por hoje, daria uma nota 8,5 para a empresa. É um começo da história - ao menos da nova marca, que agrega as antigas bandeiras do Grupo Fleury - e ainda tem muito o que evoluir. Ao menos, por enquanto, mostra interesse em chagar lá. E tem meu voto de confiança.


Destaques:

a+ Medicina Diagnóstica - Unidade Del Castilho
Avenida Dom Hélder Câmara, 5.555
http://www.amaissaude.com.br/

Positivos: no campo da comunicação e relacionamento: o site é bem moderno, com letras de ótimo tamanho e facilidade de localização com campos de busca acessíveis e usuais. A revista da a+, "saúde+lazer", disponível para os clientes é pequena, no tamanho certo e com dicas legais e amenas, para ajudar a passar o tempo. Os textos curtos e a linguagem de web facilitar o manuseio e a assimilação da leitura.
Na questão do atendimento, funcionários sorridentes e bem treinads, uniformes que não remetem à hospital ou doença, padronizado do modelo moderno aos sapatênis, com a logomarca bordada.
A limpeza do local estava em dia, mas nada que não fosse obrigação.

Negativos: sala de espera pequena, demora na chamada para o exame após o pré-atendimento (que ainda assim ocorreu na hora correta). Detalhe: bebedouro saindo um fio d´água, fazendo com que se formasse fila tamanha a demora para encher um copo. Reclamação geral e ponto perdido: no mínimo aumenta o estresse de quem espera e denota que algum problema com filtro ocorreu, o que foi confirmado com uma funcionária, que confirmou que o novo estava no local aguardando que o técnico instalasse.

a+: não é um suprasssumo do ramo, mas tem potencial
para se tornar uma das principais lembranças
 dos pacientes nas cidades em que atua.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Considerações sobre o Horário de Verão

Podem me chamar de egoísta. Podem me chamar de "reclamão". Só não podem me proibir de detestar o maldito Horário de Verão. (A rima foi acidental, juro!)

Neste período, eu durmo no horário antigo e acordo no horário novo. Lá se vão duas horas de sono. A que perco dormindo mais tarde e a que me tiram acordando mais cedo. A fome para conseguir almoçar só vem quando o alarme no celular toca... Mas para lembrar que, para seguir minha dieta e manter a alimentação a cada três horas, deveria estar comendo uma fruta ou barra de cereal. E minha endocrinologista já viu o prejuízo no histórico da minha ficha. A coisa está desandando...

Passo quatro meses  lutando para me adaptar. Talvez "a-mas-se" o HV se fosse eu um feliz morador da orla carioca, fluminense ou até brasileira, dos estados "beneficiados" com a "dádiva" de uma hora a mais de praia. Mas não sou. Eu sou mais um no meio da maioria que vive longe da areia branquinha e dos mergulhos de final de tarde após o trabalho. Inveja? Bá...

O fato é que, neste caso, a minoria vence o jogo! Nos quatro meses, aproximadamente, em que vivemos adiantados em uma hora, a minoria que idolatra o Horário de Verão não é a face da exclusão. Não é uma minoria que apanha de fortões, que atura intolerância ou sofre preconceito racial, homofóbico ou de classe. É uma minoria feliz. Vá lá que a existência do HV sequer considera fatores como "a quantos agradamos" ou  "a quem vamos desagradar. Cagam e andam para isto, com o perdão da expressão.

A economia anunciada, sinceramente, não me convence. Eu acho que os cento e poucos milhões que se deixa de gastar não compram meu sossego, não pagam os prejuízos à minha saúde e não podem ser considerados assim, isoladamente. 

Alguém já levantou em dados estatísticos a quantidade de cidadãos que, como eu, sofre fisicamente com as mudanças de horário? Ao considerar economia com a geração e distribuição de energia, o tecnicismo toma conta das preocupações governamentais, mas falta avaliar os impactos na economia no que tange ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou no meu bolso, se for o caso. Meus gastos não continuam os mesmos. Eles aumentam e MUITO, principalmente no item ENERGIA ELÉTRICA... Coincidência...

Acho que o país vive de fuga: o horário de verão institucionalizou-se, definitivamente, em 2008 e, com ele, jogamos para debaixo do tapete nossa dificuldade em avançar nas questões do abastecimento. Sofremos individualmente todos os anos sobre o pretexto de economizar na provável necessidade de construção de usinas. Na boa? Se tem que construir, construam! Há dinheiro vazando pelos ralos fétidos de Brasília e bolsos, cuecas, meias e demais itens de vestuário capazes de comportar gordas propinas pagas em 'cash'. 

Tem mais no que se economizar do que destruindo minha saúde e me transformando num zumbi sonolento. 

Agora, é sofrer e esperar o Carnaval acabar... Mas esta é história para outro bate-papo..

Horário de Verão: é mais ou menos por aí mesmo...

sábado, 15 de outubro de 2011

TV Record no Pan 2011

Da transmissão dos Jogos Pan-Americanos de Guadajara 2011, na Tv Record, fico com a impressão de que não era a hora desta emissora assumir um evento de tamanho porte. Pelo menos com o que pude ver até o momento...

O constrangimento do apresentador que anuncia a matéria ou o break e o editor não corta, não entra a vinheta, matéria nem comercial causa um sentimento que na internet chamam de  "vergonha alheia". É parecido com estar vendo um filme inocente na sala de casa, com uma tia idosa por perto e, ao zapear, cair em um canal onde está passando uma tremenda cena de sexo tórrido. É de corar as bochechas do mais descolado dos cidadãos. 

O "vácuo" da Record não é uma excessão, mas regra. A pobre da Mylena Ciribelli já tem os dentes mais vistos do Pan, de tanto que fica ali congelada, sorrindo sem graça, esperando sair do ar! Ela, coitada, nem pode se considerar perseguida. Vi o caso se repetir com outros profissionais na mesma transmissão.

Não torço contra, registre-se. Espero realmente que a TV do Bispo Macedo se corrija a tempo e faça uma transmissão melhor. Afinal, só eles estão televisionando o evento, feito este tão comemorado que beirou o ridículo. 

Espero, ainda, que a direção da emissora também deixe de crer que padrão de qualidade de transmissão é o da Rede Globo. E olha que não falo de uma postura velada dos "cartolas" da Universal não. É situação pública, assumida e amplamente divulgada na mídia: dizem que para serem os primeiros precisam copiar quem ocupa o posto atualmente. Que dó!

Senhores "Bispos", fica um apelo: não se pautem pela premissa (errada!) de que o Brasil precisa ver atletas participando de jogos de tabuleiro gigantes, de passeios "radicais" ou de debates a la Tiago Leifert, entre outras besteiras criadas para preencher tempo e idiotizar a massa. Deixem isto para a grade de entretenimento. Não precisávamos nem do original Tiago original, quem dirá de cópias do personagem ou de seu comportamento.

Jornalismo, por favor, cubra entretenimento, mas não se resuma a produzi-lo ou fazê-lo. Não é sua função ser promoter que mais faz festa do que veicula fatos que importam. Trate de esporte com "pegada descontraída", como pregam por aí, importando ideias "do estrangeiro", mas não desvirtue seu objetivo: informar. Pedir  apuração, qualidade e idoneidade é desnecessário, afinal, é obrigação.

À Record, um apelo de mais atenção ao que não é acessório, mas está sendo tratado como tal. Ter bons equipamentos e ostentá-los só aumentou a responsabilidade. Se os possuem, façam bom uso e nos entreguem produtos que valham a pena serem vistos. Afinal, só com uniformes bacanas e padronizados e apresentadoras bonitas e de cabelos alisados ao grau da perfeição não se faz uma boa transmissão.

Se serve de consolo, a chatice do Pan-Ameiricano na TV Record não me faz ter a menor saudade da Globo e sua cobertura presa aos achismos do onisciente, onipresente, onipotente e "onichatíssimo" Galvão Bueno.

Está difícil, Brasil. E as operadoras de TV por assinatura agradecem.
 "Aqui são feitos programas de pr..."
Olha o cuidado básico passando ao lado.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Funcionais, mas limitados



Se já teve a tentação de dizê-lo tente mudar de atitude. Não diga que você é um nada e um zero à esquerda, porque isso parece, mas está longe de ser humildade. A maioria dos crentes afirma que Deus tirou o universo do nada, mas depois disso não manda ninguém de volta ao nada, nem fabrica o nada. Ele tira do não ser e nunca mais devolve ao não ser. Também não cria zeros à esquerda. Deus nos dá identidade.

Como Ele é quem é, nós também somos quem somos. Nunca fomos nem nunca seremos um outro. Comparados ao ser de Deus a dimensão do nosso ser é incomensuravelmente menor, mas o fato é que somos…

No nosso caso, não nos tirou do zero absoluto, porque somos resultado concreto de pai e mãe em ato de entrega. A maioria de nós é! Um ou ouro foi depositado num útero, mas a imensa maioria nasceu de um diálogo de corpos e de almas. E é bom lembrar que os nascidos sem afeto, milhões deles, acabam amando mais do que seus pais se amaram. Conhecem e superam a dor de não pertencer!

Somos vidas à procura de chances. Nem sempre as teremos, nem sempre as alcançamos, mas é bom saber que somos funcionais. Nascemos por alguma razão e vivemos por esta razão. E acabamos achando outras razões para viver. Diferente do parafuso que, fixo, ali onde o puseram, segura o quadro e não tem querer algum, nós achamos outros espaços onde possamos ser quem somos e até um pouco mais do que éramos. Nos movemos e somos! Movemo-nos porque somos quem somos.

Não diga, porém, que quer tudo da vida, porque estará querendo o impossível. Ninguém pode lhe dar tudo, nem Deus. Ele até poderia, mas não o faz porque você não seria capaz desse tudo. É o que na Bíblia se lê que Ele disse a Moisés. Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viver. (Êx 33, 20) A dimensão de Deus arrastaria quem o visse. Continuar aqui perderia o sentido depois alguém tê-lo visto como Ele é.

Paulo toca levemente no assunto, quando disse que chegou perto e foi o suficiente para dizer que, por ele, gostaria de ter ficado por lá. Não viu Deus nem o céu, nem entendeu a experiência, mas foi luz suficiente para ele perceber que estava além do aqui-agora. (2 Cor 12,2-3) Foi ascese maior do que ele poderia suportar.

Há coisas que não suportamos, tão grandiosas elas são. Então é melhor não querer tudo. Não queira chegar perto do Sol nem viver na lua. Você não está preparado para isso. Não queira riqueza nem fama, nem prazer, nem sucesso demais.

Por menos que admita, você não está preparado. Ninguém está! Poucos famosos conseguem ser quem são. Grande número exerce um papel do qual depende para continuar na crista da onda. Muita gente morreu por conta disso. Não deseje “tudo de bom” para os seus filhos porque é impossível. Deseje “o melhor possível” porque isso eles aguentarão.

Não ensine ganância, liberdade total, não caia nessa filosofia de não se reprimir. Aprenda com o riacho a se reprimir e a canalizar-se, se quiser produzir água potável, luz e energia. Quem é livre demais acaba danoso e inútil. Quem se canaliza faz muito mais pelos outros. Controle-se e será como o avião que voa, o barco que singra, o carro que corre porque seus motores são controlados. Aprenda a acelerar e a frear no tempo certo, no lugar certo e do jeito certo e chegará.

Se cair na conversa bonita mas insuficiente dos que dizem que tudo é possível para uma pessoa, acabará no divã de um psiquiatra. Jesus diz que para Deus tudo é possível (MT 19,26), mas ele fez uma prece pedindo que o Pai afastasse o cálice da dor e o cálice não foi afastado. Logo a seguir, ele orou entregando-se e aceitando a vontade do Pai!

É um mistério que nunca saberemos explicar. A moça que percebeu que morreria porque o câncer a invadira a ponto de metástase primeiro orou, pedindo a cura. Vendo que não vinha, pediu paz. Finalmente pediu o perdão e a graça de morrer bem e merecer um lugar no céu.

O que houve entre ela e Deus, Deus viu, Deus sabe. Os parentes viram uma pessoa morrer de morte santa com o sorriso dolorido, mas lindo como sempre.

Pe. José Fernandes de Oliveira - (Pe. Zezinho, scj)Escritor, compositor e cantor,pertencente à Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos)

Fonte: Portal UM