quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Privacidade: o Facebook é uma janela indiscreta, uma vitrine de exibidos ou um aglomerado de inocentes?

Facebook. Sim, ele chegou ao topo. E parecia impossível, há poucos anos, que algum dia o Orkut caísse. A febre das redes sociais tomou conta do planeta, o Brasil assumiu a posição de país que adere e leva ao sucesso tais sites de relacionamento. É bem verdade, devemos reconhecer, que à medida que os brasileiros vão se apropriando de uma plataforma, ela vai se descaracterizando ou, como preferem alguns críticos, se adaptando ao "modo brasileiro" de navegação. 

O site de Mark Zuckerberg "orkutizou-se", sem querer tomar para esta análise o tom pejorativo da expressão cunhada em terras tupiniquins. Prefiro citá-la para lembrar que o "feice", como já é intimamente chamado, tomou a ponta. Tornou o Orkut uma cidade virtual fantasma ou, no mínimo, provocou uma debandada de usuários, que abarcou com constantes aperfeiçoamentos, menor número de bugs, mudança de paradigma e um tanto de outras propostas que não vingaram e, pelo visto, não vão dar certo tão cedo.

O problema, ou não, das redes sociais, assim como de qualquer outro meio de comunicação, é o que se quer ou se deve divulgar. O fato é que os sites, políticas, normas e regras são mutáveis. Então, é melhor ter cuidado com o que escreve, posta, compartilha ou dissemina virtualmente para não correr o risco de, no futuro, se arrepender de ver uma informação pessoal ou confidencial circular abertamente.

Os especialistas em segurança digital estão constantemente dando dicas de navegação na internet. Talvez, por isto mesmo, seja tão fácil que uma hoax (ou notícia falsa, fictícia) ganhe notoriedade rapidamente. Aliado a necessidade de se proteger está uma eterna falha: confiar demais e não apurar o conteúdo que compartilha ou publica. Daí, correntes se propagam por anos, crianças com doenças graves nunca crescem, e são compartilhadas diariamente como se fossem novidade, quando a maioria delas já deve ter atingido a idade adulta, aliás.

Os mais desconfiados rejeitam, os de faro mais aguçado pesquisam e uma outra parte simplesmente ignora alertas no estilo "proteja sua conta com dicas do fulano de tal". A última foi uma suposta matéria do programa Fantástico, da Rede Globo. O Facebook se viu infestado por uma praga de copy-paste de uma mensagem com orientações para proteger os dados. Uma torrente de usuários sequer se deu ao trabalho de checar e simplesmente recortavam e publicavam no mural. E aí, em plena terça, nossos amigos virtuais mencionavam o programa que teriam visto no dia anterior, segunda, em que a tal atração sequer é apresentada.

O que preocupa não é a repetição de uma bobagem ou o medo exacerbado de ter seu espaço "invadido". É de dar calafrio, sim, a total ingenuidade. As pessoas estão levando muito a sério qualquer notícia um pouco mais elaborada ou com texto em linguagem mais apurada, seja ele técnico ou jornalístico. É como se dizia antigamente: "deu no Jornal Nacional, é verdade".

A única forma de não ter um dado pessoal sendo utilizado por terceiros, seja um contato ou uma empresa que usa dados apurados em redes sociais para suas pesquisas de marketing e preferências do consumidor, é não divulgar tais informações.

Se não é para ser público, não publique. Caso contrário, seria como colocar num outdoor na frente da casa da namorada uma linda mensagem de aniversário e, ao mesmo tempo, se chatear por todos que passam no local também poderem ler e criticar, positiva ou negativamente.

A tríade preguiça-insegurança-ingenuidade é uma febre virtual que considero perigosa. Juntas, são usadas pelos mau intencionadas para espalhar todo tipo de bobagem, de menor ou maior impacto, de correntes a vírus, de fotos chocantes aos programas espiões para roubar senhas bancárias. É contando com este trio do mal que se desenvolvem tantos crimes virtuais.

A única forma de se proteger totalmente é não criar um perfil virtual, repito. Se mesmo assim o fizer, procure ler nas políticas do próprio site quais as regras que norteiam a navegação e a confidencialidade das suas informações. Ou, se for buscar orientação, confie em veículos com idoneidade reconhecida, cheque em fontes oficiais em não em mensagens que afirmam ter visto o conteúdo.

Lembro sempre que, assim como na vida real, no ambiente virtual nada é estático, ou seja, as coisas mudam de lugar, de regra, de norma. O que hoje é protegido amanhã pode não ser. A obrigação de se manter periodicamente informado é do usuário. Cada um fazendo sua parte e, no mínimo, pensando. Assim estaremos protegidos. Combinado?

Além do cuidado com o que divulga, ficar de fora é a única opção totalmente segura.
E até isto, algumas vezes, não é fácil de se fazer. Mas faça por sua conta e risco.
 (Arte do autor)


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Boas ideias circulam por aí. #Inspiração


Hoje faz pouco mais de dois meses que não posto nada aqui no Outras Palavras. Mas o silêncio não significa, necessariamente, ausência. Então, como se diz por aí, "voltamos com nossa programação".

Na reabertura do boteco, compartilho com vocês uma imagem inusitada que chamou minha atenção ontem. Encontrei esse Fusca conservadíssimo quando saia do prédio onde trabalho e me surpreendi com a genialidade desta carrocinha que ele puxava. Sensacional.

São de ideias assim que o mundo precisa. Inventivas, bonitas e merecedoras de aplausos.

Para quem gosta de um bom e velho Fusca - o que não significa, necessariamente, "detonado" - é um achado. Para quem não liga, igualmente, é de se parar para observar.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Rio+20: refletindo sem precisar mostrar a bunda

Alguém pode me explicar por que ficar pelado em um protesto poderia fazer algo pela democracia? Não acho nada democrático impor aos demais cidadãos sua vontade de se expressar, cerceando-lhes o direito de ir e vir, num rompante de reviver, nus, um dia de Jardim do Éden.

Em tempos de Rio+20, fadada ao fracasso, "os caras" lá dentro da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD) sequer sabem que tudo isto se passa aqui do lado de fora. Virou moda, notícia repetida, mais do mesmo... Fazer protesto, nestes dias, virou sinônimo de ficar pelado. Pela segunda vez em uma semana fomos bombardeados por imagens dantescas.

E concluo, neste momento, que gente esculpida, sarada e dentro dos padrões estéticos de beleza não se envolvem em movimentos deste tipo. A menos que estejam bem vestidas e seja com o claro intuito de se exibir. Em resumo: as "gostosonas" e os "caras padrão Globo" não são engajados em nudismo - não deste tipo -, são pouco corajosos ou tem mais vergonha... Prefiro crer que só ficam pelados para transar ou ganhar um cachê posando para fotos.

Do outro lado, há uma super top model brasileira que empresta sua imagem - vestida, claro - para várias ações em defesa do meio ambiente. Preciso dizer quem é? Não. Ela faz para mostrar, não para se mostrar. E faz diferença.

Fotógrafo dá uma boa manjada na bunda da manifestante.
Foto: Agência O Globo
Podem chorar...

Podem gritar ou vociferar também. Na prática, vocês, povo pelado, prejudicaram o outro lado do mesmo povo - o que está do lado vestido. Os protestos deveriam ficar no caminho dos líderes mundiais, bloquear-lhes o caminho, mostrar-lhes indignação. Creiam: das janelas de carros, ônibus e prédios, cidadãos comuns, em sua maioria, vêem o oba-oba das passeatas com muita raiva e o feitiço se vira contra vocês mesmos, feiticeiros sem túnica nem ceroulas.

Manifestantes-pelados-anti-capitalistas só estão servindo para perpetuar um capitalismo noticioso, preencher as laudas dos jornais, páginas de sites, etc. E os jornalistas que cobrem tais pautas, com raras exceções, querem mais é voltar aos seus computadores e escrever sobre nádegas brancas que viram naquela manhã de balbúrdia. Depois, retornam para casa e tentam esquecer, com uma dose de álcool e algum entorpecente televisivo. Até a Hebe vale - tratar um trauma com ou ainda maior. Os políticos, líderes mundiais e demais "picas das galáxias" sequer tomaram conhecimento de grande parte - ou toda - do que foi feito.

Nada muda quando vocês tiram a roupa. As pessoas não vão se lembrar das bundas caídas, paus moles e xoxotas defloradas que viram no meio daquela manifestação. E, de tão chocante, se lembrarão que isto ocorreu, mas não do que o corpo que existia ao redor daqueles órgãos sexuais reivindicava. É o meio sobrepondo-se à mensagem. Da próxima vez, tatuar nas partes íntimas uma frase de impacto pró-naturalista talvez renda mais alguns parágrafos de notícia... Na Revista Sexy... Talvez...

Fica tudo como tem estado desde a ECO-92.

Não estou afirmando, contudo, que marchar em prol de um ideal seja causa ilícita. Pelo contrário. Só me entristece saber que em nome de uma causa justa, pessoas se prestem ao papel de prejudicar o direito de ir e vir das outras. A liberdade de se expressar entrando em conflito direto com a liberdade de ir e vir.

Espanta-me que em meio às notícias sobre protestos na semana de realização da Rio+2O, o grupo que não ficou pelado tenha sido o dos índios.

Desacredito de tudo. Dos resultados da Conferência, da mudança do quadro de degradação que aí está, da efetiva necessidade de descumprir leis e colocar órgãos sexuais à mostra e parar a cidade em prol de qualquer que seja a causa.

O tempo gasto ali, se investido em estudar projetos de Lei e ações políticas deste país, talvez a coisa toda tomasse outro rumo. Por enquanto vamos todos, pelados, líderes engravatados ou de turbante, para o mesmo futuro: um mundo degradado em em conflito por comida e água.

Por roupas, nem tanto...

Único índio descalço na foto (5º, da esq. para a dir.)
traja costume surfista completo: bermudão e camiseta.

Foto: Agência O Globo

Estatística

Estamos cercados e de nada adianta tentarmos fugir.
Estamos cercados por números de todos os lados.

Eles nos rotulam, nos enfileiram e nos classificam.
Eles dizem quem somos e porque somos.
Eles estão sempre lá e não podemos mudar.

Tem um número no dia em que nascemos.
Tem outro para o mês e mais um para o ano.
Numeraram-nos ao nascer para não pararmos no peito de outra mãe.

Número na certidão de nascimento...
Número na primeira identidade: não existimos antes de tê-lo?
Tem numeração de CPF, no Certificado de Reservista...

Número naquele documento caro que tiramos para viajar.
Número no próprio vôo que nos leva para outro lugar.
Número... Cansei de ser numeral e estatística.

Cada um dos números representava a quantidade de ângulos que o mesmo possui.
O zero não tem nenhum ângulo, razão pela qual é representado por uma circunferência.
(Fonte:
Teia Poruguesa)



quinta-feira, 17 de maio de 2012

Homenagem

Eu queria homenagear um colega que (ainda) não conheço pessoalmente, mas que aprendi a admirar. É uma forma de retribuir a felicidade que tive ao ter meu humilde poema musicado por este artista.

Então, bolei estes versinhos com um pouco da história do Rafael Lima e de sua esposa até a chegada do Gabriel, filhinho recém chegado do casal.

Então é isto. Eis minha singela homenagem ao papai do Gabriel. 


Perfume de céu,
Me veio assim...
Anjo Gabriel
Chegou para mim.

Disseram-nos: - "Não"!
Tentaram barrar,
Mas Deus disse: - "Sim"
E nada O pôde parar.

Pois quando Ele quer
A graça de faz.
Este filho em meu colo
É o retrato da paz.

Meigo menino,
Visita de Deus,
Que hoje abençoa e
Faz carinho nos seus.

Meu lar é do Pai
Que por nós tudo faz.
Ele disse-me: -"Vai,
Não olhe para traz".

As cores do céu
Vieram até nós.
Anjo Gabriel
Já não estamos sós.

Já era em nós
Antes de existir.
Gerado na graça
Fez promessa se cumprir.

Seu eu choro de amor,
É pro mundo saber:
Que ser pai é um presente
Que não posso esconder.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dolorida letra cursiva

Se a sociedade "emburrece" ou fica mais inteligente com o uso do computador, os teóricos e estudiosos que decidam e comprovem.

O que eu sei mesmo é que minha letra cursiva está bem pior e minha mão dói ao escrever três linhas manuscritas. Este sim é um fato comprovado.

E a falta de prática de escrita "enferruja" os movimentos. A pressa ajuda a piorar tudo. A letra, como a vida, fica melhor quando pensada e feita com calma.
Se descermos mais um degrau vamos parar no já velho,
mas ainda conhecido, caderno de caligrafia.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Desafio

Todo dia é lindo quando enxergamos
além das nuvens e pensamos no sol
que, 
invariavelmente, brilha forte  
acima de qualquer tempestade.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Hipocrisia


Uiiiii. Eles adoram o Pânico na Band (ex "na TV") e agora compartilham uma suposta carta do Wagner Moura 
criticando as mesmas patetices.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Dispensem a bola de cristal...

Panorama futebolístico nos perfis de
redes sociais do Estado do Rio de Janeiro


De 22/04 - 29/04

Semana de ataques tricolores, botafoguenses e vascaínos contra o rubro-negro carioca. No mesmo período, os flamenguistas se defendem, vangloriando-se do fato de "estar de férias", o meso fato que criticariam caso os "encostados" fossem os outros três "grandes" do futebol.

No final de tudo, corre-se o risco do Vasco garantir, no próximo domingo, mais um vice. E aí, caso o panorama se confirme, é o de sempre: Flamengo lidera o ranking dos sapateadores na derrota do rival. O Botafogo seguirá comemorando seu provável título enquanto os recalcados menosprezam a importência do feito nas redes socias. O povo do Fluminense continuará sua luta em outras disputas, enquanto seus torcedores seguem o Fred e seus comparsas "bons de copo" pelas baladas cariocas.

Milhões de "sacadas geniais" com estatísticas sobre os times e evocações da história e das conquistas de cada um inundarão as timelines e murais. Montagens e mais montagens circularão, com ataques em todas as direções, exceto na da educação.

Torcedores fundamentalistas mais afoitos provavelmente se apoiarão em críticas e observações nada inteligentes, como dizer que por não ligar para futebol e não tenho o direito de mencionar os santos nomes de seus times em vão (Améééém!).

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sonhos... (Direto do túnel do tempo)


O texto escrito a seguir foi escrito por volta do ano 2001 ou 2002. Um arquivo antigo, descoberto em um backup. Ingênuo, superficial, mas, como um sonho, me levou a viajar nas memórias de quem eu era no começo dos meus vinte e poucos anos.



Sonhos

A vida assim. Falamos, ouvimos, convivemos e sonhamos. Por vezes sequer lembramos do assunto, mas, certo mesmo, é que sonhamos. Pelo menos uma vez na vida você já acordou impressionado com a variedade de absurdos com que sonhara até alguns minutos antes, certo?

É o acordar assustado, às vezes achando engraçado aquele sonho que acaba de ter onde o... Bom, aquele sonho maluco onde você estava naquele... Falando com... O que mesmo que estava sonhando?

Acordamos e não nos lembramos de nada. E a vontade de resgatar as idéias daquele sonho não são suficientes para atingir a memória e voltar a contar aquela história surreal que acabara de sonhar.

Da mesma forma, sonhamos com coisas banais que jamais esquecemos. Fazemos de para esquecer tão ridículo sonho, tão insignificante memória, mas ali está ela... E aquelas lembranças do sonho que se teve com a vizinha, com o carro que se desejava ter, com riqueza, com a viajem ao parque de diversões... Perdidas.

O sonho toma conta de nós e tê-los faz parte da vida. Neles alguns encontram motivações de vida, inspirações, respostas, mediunidade, espiritualidade. Certo mesmo é respeitar os sonhos de cada um. Eles passam do subconsciente e muitas vezes nos atormentam vida afora, até que vivamos alguma situação que nos faça entender a razão deles terem feito parte de nossos passos durante tanto tempo.

Sonhos podem ser tristes, mas bons mesmos são aqueles sonhos divertidos, que geralmente envolvem pessoas próximas de nós e as colocam em situações extremas e tão ridículas que destes não conseguimos esquecer. Fazemos questão de contar para quantas pessoas for possível dentro do menor espaço de tempo, para que as idéias não se percam.

Pergunte para si mesmo se alguma vez na vida já não sonhou com algum ente em uma situação engraçada, improvável, cômica, mas de toda as formas, tão impossível que acaba sendo motivo de gargalhadas incontidas.

Passemos pela vida tirando proveito dos nossos sonhos, principalmente os engraçados. Podem render grandes histórias, grandes momentos. Quanto aos tristes, se possível, guardemos lições, caso haja, e descartemos o resto.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Março como eu vi(vi)

A série "retrô", que em fevereiro comemorou a chegada do nosso anjo Maria Laura, sobrinha linda e amada, volta hoje, cheia de saudosismo, para contar as dores de uma despedida.

As águas de março fecharam o verão e as cortinas para alguns espetáculos belíssimos. O mais belo deles, a vida do meu avô, Lourival de Macedo, o "Seu Bomboca". Aos 99 anos meu velho avô partiu para a eternidade. Morreu lúcido, inteligente, sereno, no dia 18 de março de 2012. Seu presença em mim fica para sempre. A gritante semelhança física. Seus conselhos. As palavras "duras". O incentivo. O carinho de patriarca.

Ao meu "velho", eterna gratidão pela companhia da infância (e pelas tantas vezes que eu e meus primos usamos seu colchão de molas para brincar de pula-pula); pelo incentivo na adolescência; por cobrar de mim avanço nos estudos; por demostrar orgulho de cada vitória minha; e pela felicidade estampada no rosto quando via minha foto de formatura.

Em seu leito de morte, vovô lembrou de mim e pediu que sua melhor foto - pendurada na parede sua casa desde que me conheço por gente - me fosse dada como lembrança. É prova de que eu realmente não precisava estar ao lado de um caixão para provar a ninguém o amor e o respeito que nutria por meu avô. A demostração eu dei em vida, ele mesmo, a cada visita mensal e a cada despedida, onde pedi sua bênção e ganhei seu abraço.

Sofrido, mas certo de que Deus já o tem em seu abraço eterno, eis aqui um neto que foi educado a amar e respeitar seus avós, sentindo desde já a eterna saudade.


E março levou também Chico Anysio ("Não garaaaavo mããis!") e Millôr Fernandes ("Há uma morte no fim da sua vida"). O Brasil ficou menos culto, menos politizado, menos alegre.

E no mais, nada mais. O mês havia começado bem, embalado por um ótimo final de semana, me pegou se surpresa no seguinte e terminou no ritmo normal da vida.

Vamos em frente, ver o que abril nos guarda... E o que guardamos para abril.

Poetinha

"Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida".
Carlos Drummond de Andrade
A foto do poeta (à dir.) que inspirou a pose da estátua na praia de Copacabana (à esq.).
Roubam-lhe óculos, mas nunca a beleza...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Rotina

A rotina dos meus olhos
Dia após dia tem buscado
A luz que de ti transpassa,
Da cor de ti ser iluminado.

A rotina dos meus dias
Nas repetições do feito,
Vê as horas passando
Clamam o encontro perfeito.

A menina dos meus olhos
Perdeu-se em vazio...
Doeu de saudade, chorando,
Em barulho qua o mar bravio.

E  cheiro teu que me invade,
Teu tom refletido em minha córnea
Toma de assalto, deleite,
Luz e perfume em esbórnia.


quarta-feira, 7 de março de 2012

Uníssinos


Flores.
Letras.
Músicas.
Mulheres.
Combinam.

terça-feira, 6 de março de 2012

Fevereiro como eu vi(vi)

Houve um turbilhão de acontecimentos na minha vida em fevereiro. Uma correria boa que faz o mês voar e só nos darmos conta de que passou quando descobrimos que já estamos em março. E olha que não é por causa de dois dias a menos.

O carnaval foi um refúgio só. Só fui lembrar de escolha de samba na volta ao Rio de Janeiro, quando ocorreu a apuração do desfile, já na quarta-feira de cinzas.
 

No mais... Fevereiro foi o mês da Maria Laura. A família se agitou. A vida se renovou. Minha sobrinha chegou no 9º dia do mês para trazer muita luz para todos nós.

A criança fez todo o resto parecer trivial... Não há mais nada importante a comentar diante do fato de termos mais uma "pessoinha" alegrando nossa casa. 

E vamos em frente, pois março já se faz adiantado.

Maria Laura: fevereiro é todo dela.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sete dias


Se a segunda é betume,

A terça é chorume.

Se quarta é o cume,

Com quinta, acostume.

Na sexta se aprume,

O sábado é lume,

E o domingo, perfume.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Poeminha de quarta-feira




Tem gente que vive 

E gente que infarta.

Tem gente que é livre

E tem gente que mata. 

Tem gente que vibre

Em jogo que empata. 

E a vida que segue 

Tem jeito de quarta.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nós gatos já nascemos pobres...

Propaganda de Whiskas me faz refletir... Vejo aquele bife virando comida de bichanos e penso no desmatamento para criar o gado que, no fim vai produzir carne para engordar os gatinhos. No que destruímos para sustentar este sistema. Eu chego a pensar que tem mais proteína animal na alimentação dos gatos e cães de estimação do que no prato da maioria das famílias do mundo afora.

E quer saber? Mentirada total. É um mix de miúdos bovinos, suínos e de aves ali vendidos a preço de ouro e ilustrados como puro filé. Chega a ser desrespeitoso, sem ética e mal educado. É quase como vender um carro popular prometendo conforto e segurança de um Rolls Royce. 


Não que eu ache que deveria mesmo ser de carne de primeira a alimentação dos felinos domésticos. Mas me dá um embrulho mental e estomacal ver a imagem daquele bife que eu facilmente comeria simplesmente sendo tratado como comida de animal de estimação.

Tv de cachorro.
(Ilustração: Caco Galhardo
O mundo pirou mesmo. Antes os cães viam frangos que alimentariam seres humanos a girar em fornos e salivavam, sonhando com uma coxa suculenta. Hoje, deve ter muito humano com fome parando diante da TV e sonhando com o bife que vira Whiskas no comercial e pensando: "bem que eu podia ser um gato de estimação de alguma madame."

Passada a era da televisão de cachorro, hoje são seres humanos que salivam pela comida que não deveria, mas é destinada aos bichos.


Mais do que uma produção responsável, falta uma comunicação consciente.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Toma que a chave é sua.

Entregar chave da cidade ao Rei Momo é fácil.Quero ver prefeitos entregarem chaves de casas para os desabrigados deste país.

"O que o povo tem que fazer é se divertir com muito samba no pé, sem esquecer de cuidar da cidade". A frase foi dita pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ao entregar a chave da cidade para o Rei Momo, que comandará a folia até a quarta-feira de Cinzas. E o prefeito deveria governar com muita honestidade, sem esquecer de cuidar da cidade.


A alegria deve durar o ano todo, e não só no Carnaval. As escolas deveriam receber o mesmo tratamento de formadoras de cultura e arte que é dado às agremiações chamadas de "Escolas" de Samba.

"Malandragem": Eduardo Paes entrega
chave da cidade ao Rei Momo. 
Foto: Custódio Coimbra / O Globo

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Meu iáiá, meu iôiô...

Cauby erra o tom.
Cláudia Leitte erra a letra.
Paula Fernandes erra o compasso.
Vanessa da Matta erra de profissão.
Elymar Santos erra de ter aceitado o convite.


E o Wando... Este, certamente, revira no túmulo...

Isso era o "clip" de homenagem, Fantástico? 
Nem chegou a superar as coroas de flores...

Originalidade ou mal gosto?
Foto: Paolla Serra / Extra

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sexta-feira

A danada custa para chegar,
Me abandona rápido, 
Mas sempre fico 
Na expectativa. 

De tão boa, acaba, 
Mas anda deixa 
O fim de semana 
De brinde! 

Te amo, sexta-feira.

Comemoração. Sexta-feira sempre deixa essa sensação.
Foto: Lucas Jackson / REUTERS 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

No topo dos buscadores

Que saber mais sobre o SEO ("Que isso"?) e como isto pode ajudá-lo a alavancar seus textos nos buscadores da internet?

Eis aí uma cartilha cuja autora explica como fazer sua matéria "aparecer" no mundo virtual e que ferramentas e técnicas podem - e devem - ser usadas para isto.

SEO no jornalismo, de  Barbara Zamberlan, está disponível para download e, o melhor, é de graça - expressão esta que todo jornalista gosta de ouvir. E quem não?

Acesse o site e garanta logo sua cartilha. 

Buscadores: ilustres (des)conhecidos dos jornalistas. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Janeiro como eu vi(vi)

Foto: Ernesto Carrico / Ag. O Dia


As coisas andam quentes ultimamente. Literalmente. Tivemos uma quarta-feira absurdamente escaldante no Rio de Janeiro. Um 25 de janeiro que ficará na memória, não apenas pelo desconforto causado pela intensidade do sol - que levou os cariocas a lotarem as praias e esvaziarem as ruas mais tumultuadas - mas pela tragédia do desabamento de três prédios no Centro da cidade. A Avenida13 de Maio mais parecia uma praça de guerra. Atônitos, vimos a capital fluminense parar mais uma vez diante do inexplicável.


Três construções em locais de recebem grande fluxo de pessoas durante o dia vieram abaixo. Não havia qualquer sinal de que pudessem ruir. Mas estavam lá, em estilhaços. Tudo ocorreu por volta das 20h33, o que certamente salvou muitas pessoas. Meses antes, vimos uma explosão lançar escombros - e vidas - como folhas secas ao vento. Um restaurante na Praça Tiradentes, também no Centro do Rio, desapareceu, vidas foram perdidas e cá estamos nós começando o ano com mais ocorrências sinistras.

Janeiro também nos traz a lembrança de uma catástrofe sem precedentes no Brasil. O temporal que dizimou centenas de vidas na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro custou sonhos, famílias, perspectivas e, não devemos esquecer, deixou ônus materiais enormes. Rendeu lucros, porém, aos políticos sujos que, sem cerimônia, usaram as verbas destinadas à recuperação e reconstrução das cidades para engordar contas pessoais. Um ano depois, nada mudou. 

E o pesadelo se repetiu, com chuvas acima da média alagando cidades como Nova Friburgo, Cordeiro e Cantagalo, felizmente, sem mortes. A mesma sorte não tiveram municípios como Campos, Aperibé ou Sapucaia, onde 22 pessoas morreram após serem soterradas no distrito de Jamapará. O primeiro mês de 2012 também trouxe de volta a maldição-mor da TV brasileira. E limito-me a esta rápida citação para não dar mais cartaz às "Baixarias-Bial-Boninho".

Janeiro foi o mês da brasileira mais famosa "de todos os tempos da última semana". Quem não ouviu falar da Luísa, que estava no Canadá? A campanha de publicidade de um empreendimento imobiliário "estrelado" por sua família na Paraíba - sem sua presença, já que estava fora do país - rendeu críticas, que viraram brincadeira, que viraram meme e estes, por sua vez, foram parar nos assuntos mais comentados do Twitter por mais de uma semana. A jovem, de volta antecipadaao país, foi até dar entrevista na Globo. O jornalista Evaristo Costa tietou a moça e nos deixou esperando por uma de suas piadas no estilo "você gosta de mamão, Luísa"?

A piada do mamão, aliás, descortinou 2012. O apresentador do Jornal Hoje (Rede Globo), fez a pegadinha ao vivo com a colega de bancada, Sandra Annenberg, na primeira edição do telejornal neste ano. E, assim, no dia 2 de janeiro, respiramos fundo e nos preparamos.

Ao menos tivemos a Neila Meideiros, Âncora (com "A" maiúsculo mesmo) do SBT Brasília, que mostrou a diferença entre descontração pelo entretenimento e a capacidade de expressar sua opinião seriamente e responder com seu pensamento, sem amarras e scripts. A jornalista rebateu a crítica de um entrevistado que reclamava que obras não eram concluídas por culpa da imprensa, que tomava o tempo dos políticos locais. Coitadinhos.

Ah, não podia esquecer: no dia 17 de janeiro meu avô, Lourival de Macedo, o Sr. Bomboca, que completou 99 anos de idade. O mês não terminou e torço para que, ao findar, só tenhamos boas novas para acrescentar ao seu saldo final. 

Que venha fevereiro e seja bem melhor...


- "Você gosta de mamão, Sandra"?
Foto: reprodução internet

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Escoliose: ainda pouco abordado pela mídia, problema de coluna é caso de saúde pública

Hoje entrevistei a Dra. Patrícia Mentges, fisioterapeuta especialista no tratamento da escoliose. O problema de coluna, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), afeta 2% da população do planeta. Do total de casos, 80% são de origem não identificada. 

Segundo a profissional, a prevenção e o diagnóstico ainda na infância são importantíssimos. Mesmo assim, ainda em adultos, é possível atingir uma melhora na qualidade de vida com o uso de técnicas corretas de fisioterapia e colete adequado ao paciente, que é prescrito pelo médico. 

É preciso haver a consciência de que o tratamento demanda uma equipe multidisciplinar de profissionais da Saúde, como médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, assistente social e psicólogo.  

Fiquemos atentos às nossas crianças e, ainda, ao nosso comportamento, visto que passamos horas sentados diante de um computador e, sem perceber, descuidamos da postura.


Brunão no Domingão (uma proposital - e humorada - barriga jornalística)

Bruno Palma, o jovem guitarrista cantagalense que venceu um concurso nacional de vinhetas, integrará a Banda Domingão a partir de fevereiro. O talentoso músico superou mais de 600 concorrentes e atingiu a fama nas redes sociais, levando os produtores musicais da Rede Globo a proporem um contrato com o artista.
O apresentador do Domingão, Fausto Silva, afirmou em entrevista ao Patrick Zanon, do Blog do Tikão, que "está ansioso para ter o talento das execuções musicais de Bruno abrilhantando as chamadas e retornos de intervalos". Ele, que costuma pedir que a banda toque músicas sem ensaio já avisou: "Vou pegar no pé do garoto e inventar de um tudo para ver se ele é bom mesmo. 'Ôô, lôco meu' ".

O empresário do mais novo famoso filho de Cantagalo, Mateus Guida, diz-se confiante no sucesso do amigo: "Eu conheço esse cara desde garoto. Fomos coroinhas e tudo, sabe? Ele vai arrebentar. Ataca, Brunão".

Uma equipe de profissionais já prepara a divulgação do guitarrista. O escritor Rick Azevedo, do site Descasos, já começou a apuração de depoimentos para o livro "A saga de um menino cantagalense: Bruno Palma, o prodígio das terras euclidianas". O site do guitarrista deve entrar no ar em breve. Criado pela Inspirato Design, empresa capitaneada pelo designer Gustavo Curty, será recheado e vídeos e notícias sobre a carreira de Bruno Palma.

Cristina Palma, mãe do jovem talento, diz-se despreocupada: "Eu sei que dei uma criação boa para meus filhos e que Deus os guarda por onde estiverem. Estou feliz pelo sucesso do Bruno". Querido pelos amigos e conhecido pelo senso de humor "de gosto duvidoso", segundo outro amigo, Matheus Huguenin, Bruno é filho caçula. Recentemente formado em engenharia, trabalha em uma cimenteira e também dá aulas de música. 
 
Cidadãos da pequena Cantagalo estão felizes com a contratação de Bruno Palma
"Brunão, we love you": Bruno mostra
homenagem
assinada por amigos, em 2009 .
A terra natal do grande escritor Euclides da Cunha, autor de "Os sertões", e do ator Astolfo Barros Pinto - ou, como o Brasil conhece melhor, Rogéria - precisava de um novo nome para projetá-la nacionalmente mais uma vez. O jovem guitarrista encarna tão bem este papel de "queridinho da cidade" que foi condecorado pela Secretaria de Cultura pelo seu talento. A placa de homenagem foi entregue ao música pelo prefeito Guga de Paula. "Tremi muito na hora de cumprimentar o Guga", disse ele, tímido.
Bom moço, estudioso e responsável, Bruno Palma já faz parte dos planos de 7 entre 10 mães de jovens solteiras, que acreditam ser este o perfil de genro que gostariam de ter.  Ele, no entanto, não se mostra empolgado, mas consciente.

"Sou um cara comum, de hábitos normais. Gosto do que faço, mas não esqueço quem sou e dos meus amigos. Não vou mudar por causa disso, mas sim me esforçar para conquistar novos prêmios e representar bem minha família e minha cidade".
 
Timidez: apesar de sua conhecida irreverência, o artista
prefere manter-se afastado das câmeras.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O sabor das massas...

Vivemos no Brasil. Aqui, mobilização da massa é só o que ocorre no restaurante de rodízio.


Sorte tem "a Luisa, que está no Canadá". 

Crédito da imagem: William Medeiros ( http://william.com.br/blog/)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Conta outra.

De acordo com uma matéria do Estadão, "Ronaldo diz ter missão de fazer povo acreditar na Copa". 
Ok, Fenômeno. Missão fácil. Quero ver é cumprir uma que parece bem mais impossível: emagrecer.