quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Privacidade: o Facebook é uma janela indiscreta, uma vitrine de exibidos ou um aglomerado de inocentes?

Facebook. Sim, ele chegou ao topo. E parecia impossível, há poucos anos, que algum dia o Orkut caísse. A febre das redes sociais tomou conta do planeta, o Brasil assumiu a posição de país que adere e leva ao sucesso tais sites de relacionamento. É bem verdade, devemos reconhecer, que à medida que os brasileiros vão se apropriando de uma plataforma, ela vai se descaracterizando ou, como preferem alguns críticos, se adaptando ao "modo brasileiro" de navegação. 

O site de Mark Zuckerberg "orkutizou-se", sem querer tomar para esta análise o tom pejorativo da expressão cunhada em terras tupiniquins. Prefiro citá-la para lembrar que o "feice", como já é intimamente chamado, tomou a ponta. Tornou o Orkut uma cidade virtual fantasma ou, no mínimo, provocou uma debandada de usuários, que abarcou com constantes aperfeiçoamentos, menor número de bugs, mudança de paradigma e um tanto de outras propostas que não vingaram e, pelo visto, não vão dar certo tão cedo.

O problema, ou não, das redes sociais, assim como de qualquer outro meio de comunicação, é o que se quer ou se deve divulgar. O fato é que os sites, políticas, normas e regras são mutáveis. Então, é melhor ter cuidado com o que escreve, posta, compartilha ou dissemina virtualmente para não correr o risco de, no futuro, se arrepender de ver uma informação pessoal ou confidencial circular abertamente.

Os especialistas em segurança digital estão constantemente dando dicas de navegação na internet. Talvez, por isto mesmo, seja tão fácil que uma hoax (ou notícia falsa, fictícia) ganhe notoriedade rapidamente. Aliado a necessidade de se proteger está uma eterna falha: confiar demais e não apurar o conteúdo que compartilha ou publica. Daí, correntes se propagam por anos, crianças com doenças graves nunca crescem, e são compartilhadas diariamente como se fossem novidade, quando a maioria delas já deve ter atingido a idade adulta, aliás.

Os mais desconfiados rejeitam, os de faro mais aguçado pesquisam e uma outra parte simplesmente ignora alertas no estilo "proteja sua conta com dicas do fulano de tal". A última foi uma suposta matéria do programa Fantástico, da Rede Globo. O Facebook se viu infestado por uma praga de copy-paste de uma mensagem com orientações para proteger os dados. Uma torrente de usuários sequer se deu ao trabalho de checar e simplesmente recortavam e publicavam no mural. E aí, em plena terça, nossos amigos virtuais mencionavam o programa que teriam visto no dia anterior, segunda, em que a tal atração sequer é apresentada.

O que preocupa não é a repetição de uma bobagem ou o medo exacerbado de ter seu espaço "invadido". É de dar calafrio, sim, a total ingenuidade. As pessoas estão levando muito a sério qualquer notícia um pouco mais elaborada ou com texto em linguagem mais apurada, seja ele técnico ou jornalístico. É como se dizia antigamente: "deu no Jornal Nacional, é verdade".

A única forma de não ter um dado pessoal sendo utilizado por terceiros, seja um contato ou uma empresa que usa dados apurados em redes sociais para suas pesquisas de marketing e preferências do consumidor, é não divulgar tais informações.

Se não é para ser público, não publique. Caso contrário, seria como colocar num outdoor na frente da casa da namorada uma linda mensagem de aniversário e, ao mesmo tempo, se chatear por todos que passam no local também poderem ler e criticar, positiva ou negativamente.

A tríade preguiça-insegurança-ingenuidade é uma febre virtual que considero perigosa. Juntas, são usadas pelos mau intencionadas para espalhar todo tipo de bobagem, de menor ou maior impacto, de correntes a vírus, de fotos chocantes aos programas espiões para roubar senhas bancárias. É contando com este trio do mal que se desenvolvem tantos crimes virtuais.

A única forma de se proteger totalmente é não criar um perfil virtual, repito. Se mesmo assim o fizer, procure ler nas políticas do próprio site quais as regras que norteiam a navegação e a confidencialidade das suas informações. Ou, se for buscar orientação, confie em veículos com idoneidade reconhecida, cheque em fontes oficiais em não em mensagens que afirmam ter visto o conteúdo.

Lembro sempre que, assim como na vida real, no ambiente virtual nada é estático, ou seja, as coisas mudam de lugar, de regra, de norma. O que hoje é protegido amanhã pode não ser. A obrigação de se manter periodicamente informado é do usuário. Cada um fazendo sua parte e, no mínimo, pensando. Assim estaremos protegidos. Combinado?

Além do cuidado com o que divulga, ficar de fora é a única opção totalmente segura.
E até isto, algumas vezes, não é fácil de se fazer. Mas faça por sua conta e risco.
 (Arte do autor)


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