segunda-feira, 29 de junho de 2015

Para Arthur

Amigos,

Voltando ao meu canto virtual, sinto-me como aquele que retorna a uma casa de veraneio há muito esquecida. Não pela distância, não por ter cansado desse espaço de lazer e descanso, mas pela vida que atropela e toma as prioridades.

Então, cá estou. Para soprar o pó, afastar os móveis, deixar o ar novo entrar e tomar conta desse pedaço de vida arquivada. Faxina feita, recebo novas visitas e partilho memórias e pensamentos guardados neste tempo de reclusão.

Na sala de visita, reaberta, um texto que escrevi, despretensiosamente, para celebrar os dois anos do meu filhote. Dessa vez ele foi morar primeiro num posto de Facebook e, por conta da receptividade que teve, achei que seria um excelente recomeço de conversa aqui no Outras Palavras.

A casa é nossa.


23 de junho de 2015

Há dois anos Arthur nasceu. Conversamos com o olhar, depois daqueles momentos mais difíceis do parto.

Daquele momento em diante, nossos dias nunca mais se repetiram. Cada experiência passou a ser inédita. Até as coisas já vividas mudaram de sentido. Quem viveu, entende. A vida é outra depois da chegada de um filho.


Olhar para nossas experiências nos faz enxergá-las de outra forma. Passamos a entender o preparo pelo qual passamos até chegar àquele momento. É assim: um filtro novo pelo qual nossa missão, nossa realidade, nossa trajetória, tudo, afinal, ganha outras cores.

Quem éramos nós, enfim, senão pessoas sendo forjadas para a paternidade e maternidade?

As perguntas mudam e as certezas sobre independência, felicidade, sentido, projetos e amor se transformam. É uma mutação que não pode ser parada, interrompida. Ela acontece mesmo quando não percebemos. Ela age mesmo quando não se aceita. É uma força feita de muitas outras: da natureza e do divino, do material e do imaterial.

Há alguns dias voltávamos para casa. Eu carregava meu filho colo. Caminhava com minha mulher ao lado, presente e maravilhosa como sempre. Conversávamos. Arthur ali, cabeça recostada em meu ombro enquanto eu afagava suas costas. De súbito, bateu um pensamento e dividi com Aline.

– Tão pequeno e frágil é uma criança. Como depende de nós!


Dois passos depois, coração acelerando, turbilhão no pensamento, revisitei minha fala e completei: - De verdade? Nós é que precisamos dele, primeiro.


E a cada dia queremos mais sua presença. Somos nós, pais, que crescemos mais. Esses dois anos têm passado como uma aventura maravilhosa. Amadureci e aprendi mais com Arthur – desde sua concepção, aliás – do que nos tantos anos de bancos de escola.


Filho é ensinamento. Precisei compreender que ao me confiar essa graça, Deus não entendeu que eu estava pronto para tê-lo, mas que eu tinha muito para aprender, antes de tudo, com este menino.

Devo e preciso sempre dizer: - Obrigado, filho!

Pelos dois anos vividos e pelos que virão. Por me ensinar que nada sei e que estamos juntos para aprender como lidar com nossos medos, nossas incertezas. E como domar nossa coragem e nossas convicções também.

Obrigado por ser exatamente que você é. E para mim, como sempre digo, você é parte de mim. A melhor porção deste ser errante. O pedaço de mim que deu certo. Aquele que chegou para mostrar que tudo pode ser belo e perfeito fora dos meus elaborados planos, metas, traços e estudos.

Para mim, você é a perfeição, meu orgulho, meu amor, minha vida. Meu filho... Sinal da eternidade, símbolo da misericórdia de Deus por mim. Amo você, meu pequeno Arthur.